Hoje fiquei deliciado com a seguinte cena:

1. Maquinaria pesada a concluir uma daquelas obras intermináveis de Lisboa.

2. Cinco ou seis artistas da categoria +70 Primaveras com os olhos turvos de admiração.

3. Um silêncio reverencial perante uma niveladora que debitava 1000cv, cuja vibração fazia estremecer de paixão aqueles maduros.

4. Quando estava prestes a sair deste quadro entra o séptimo artista que com a voz trémula e emoção estampada no rosto debita a oração sagrada que encanta gerações:

– G´ANDA MÁQUINA!!!

Recordei com alegria a minha meninice e o encanto de qualquer obra. Nunca vou esquecer o desgosto que sofri no último dia de obras na casa do Xixi (isso mesmo minha gente e não digo o que carinhosamenente chamávamos ao filho do Sr. Xixi). Quando desmontaram os andaimes e deram os retoques finais na pintura senti uma pontada no coração. Acabaram com horas intermináveis a assistir a todas as manobras de execução daquele lindo imóvel, o pôr-do-sol que toca a grua, o cheiro a massa de vidro e o inesquecível odor do cimento fresco. Malditos! Os lanchinhos que papei na varanda para não perder pitada e a companhia do mano que para o fim só debitava um triste:

– Malandros! Que isto está quase pronto!

Os idosos são passarinhos que dos galhos lembram ventos e voos passados e pasmam com o corropio da vida que nos faz voar a pique sem termos vagar para nada.

P.S. O número de comentários sobe, o número de escribas nem por isso. Agora marchava o Cherne, um copinho de H2O da Serra da Gardunha (tragada directamente da fraga) e mais qualquer coisa para adoçar o bico. Resumindo:

– Pizza congelada! Blhag!!!