Nos idos e saudosos anos 90, tudo começava no “era uma vez” do saltitar das hormonas que levava a combinações de encontros nas bancadas dos campos das C+S, ou nos bancos do jardim municipal antes da partida da carreira.

Ali entre enzimas salivares descobriam-se mamilos e soltavam-se murmúrios imitados de uma qualquer novela em voga, transmitida pelo único canal estatal. Bonitas, feias, magras, obesas, ricas, pobres, urbanas, campestres, Anas, Carlas, Marias… Todas datadas e contabilizadas de Amor a Zanga.

E toda a minha gente ficava com a alma em festa! Mesmo o amigo feio do amigo bonito, que por honra e fidelidade, sacrificava-se à troca de mimos e carinhos com a amiga obesa da amiga popular.

Mas, após o encanto da juventude, eis que o aumento da esperança média de vida, associado ao medo da solidão e proporcinalmente directo ao número de sendas empreendidas, ao qual ainda adicionamos a fraca capacidade gestora de uma vida a dois conduziu a um mundo de silêncios.

Próximos de finalizar a primeira década, do esperançoso Século XXI, não conheço nenhum casal que não tenha medo dos silêncios. Dita a verdade que também não conheço muitos casais que se amem verdadeiramente!

O estar à mesa sem que seja proferida uma palavra, implica uma dúzia de inquirições no silêncio de si, e o amar é totalmente decifrado na primeira noite de devaneio sexual: Mais peito, menos peito… Mais pénis, menos pénis… Mais grito, menos grito… Mais cornudo, menos meretriz… e o código sexual oral, anal e vaginal logo se metamorfoseia num mais vale temporariamente mal acompanhado, do que enternamente só.

No entanto, como Deus é grande e piedoso concedeu aos humanos múltiplas criações para evitar outra dúzia de constrangimentos: O emprego, a televisão, os encontros com amigos, e os almoços domingueiros em casa de familiares.