No passado fim-de-semana, o “Augusto” Sócrates apresentou a sua moção ao congresso do Partido Socialista, a realizar no primeiro trimestre de 2009.

Ideias interessantes à parte, o emérito líder vai incluir na sua moção à questão do casamento de pessoas do mesmo sexo.

Os petizes socialistas vieram logo congratular-se com a inclusão, o que não é de estranhar, uma vez que esta tem sido uma “bandeira” (em alguns casos com pau) dos jovens rosas.

Proclamação: As juventudes partidárias são associações políticas inúteis, mas que têm poder de influência.

Os aprendizes de políticos vivem com os mesmos vícios dos mais velhos: lógica de poder, afastamento da realidade social e económica do país, muita parra e pouca uva, carreirismo, falta de experiência, muito voluntarismo verbal, falta de sustentabilidade no que é dito e exigido.

Não deixa de ser patético que a grande bandeira da JS seja, neste momento, e a titulo de exemplo, a questão dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, quando os jovens em Portugal sofrem com a falta de emprego, habitação, um ensino que muitas vezes pouco serve, falta de condições para casar, ter e educar filhos, ligações perigosas entre o estado e muitas corporações e um endividamento e decisões politicas que vão por todo o nosso futuro em causa – e em especial das gerações futuras.

Este desfasamento tem uma razão de ser: a grande maioria dos jovens políticos vive bem (graças aos pais e ainda bem para eles), é urbano, nunca teve de pagar contas – as dele e as de uma empresa ou instituição, vive numa realidade virtual, mas que acredita ser real.

Nos países nórdicos diz-se aos jovens: “Primeiro vai trabalhar e depois vêm para a política”.

Cá, neste canto à beira-mar encostado, muitos arriscam a ser deputados, ter lugares de destaque nas autarquias ou em organismos do estado, sem saber ler nem escrever (para utilizar uma expressão popular). O esforço e dedicação à causa tem de ser recompensado.

Infelizmente e para mal dos nossos pecados, estes vícios perduram no tempo e basta ver na classe politica actual o currículo de muita gente importante para perceber porque razão somos, quase sempre, mal governados. Muitos tornaram-se profissionais da política quando ainda mal “abriam os olhos”.

Registo de interesses: na minha mocidade ( “mocidade / mocidade /porque fugiste de mim?”) também fiz parte durante alguns anos (até ficar fora de prazo) duma juventude partidária. Participei em muitos congressos, convenções, colóquios, acções de formação, comícios, festas. Mea culpa!