Tolan do alto da sua sapiência e de um temperamento aguçado por termas efectuadas na estepe siberiana indaga:

– Mas que raio ando eu aqui a fazer?

Não sabe?!

Eu explico!

Andamos aqui para não fazer este tipo de reflexões e se o passar dos anos for generoso  vamos em peregrinação a Fátima para venerar os deuses, perdão, a deusa, ok, a mãe do filho de deus, receptáculo divino do Big Boss que controla esta coisa chamada Terra.

Deus existe?

O amor existe?

Seremos todos uns capitalistas selvagens?

A fidelidade é uma companhia de seguros ou é um acto de amor?

Vingança, perdão ou esquecimento?

Eusébio, Futre, Figo ou Ronaldo?

Alguém mais sábio do que eu desencantou a expressão “ A insustentável leveza do ser “ eu contraponho com “ Acorda camelo que tens de ir trabalhar”. A nossa existência devia ser um fluir banhado em águas tropicais acompanhado com menu de degustação sensorial.

O truque para se viver bem é sorrir, não nos metermos em dívidas, tomar banho todos os dias e se possível ir passar uma férias ao Allgarve. Se no fim desta coisa toda conseguirmos plantar a árvore, escrever o livro e ter o filho melhor!

A vertigem da vida tem de ser acordar todos os dias com vontade de chegar a todo lado e ao deitar verificar que não se foi a lado nenhum. A piada da coisa é atirarmo-nos à vida com ganas de a sorver de um trago e sentir no palato a eterna secura. Os sábios da minha terra, aquando dos desafios futebolísticos com o município rival, ganiam do fundo da sua convicção:

– Forem p´ra frente!!!

Resta-nos chutar a bola e correr atrás da bicha com a convicção que aos quarenta ainda podemos ser um cromo da bola.

P.S. Vintege70 associou ao seu perfil uma imagem da infância brincado com os seus amiguinhos no adro da igreja. Será evidente verificar que o escriba apresenta a orelha mais arrebitada da troupe.