Um destes dias explicava a alguns amigos que a minha propensão para a escrita se relaciona directamente com aquilo que sinto e vivo e que estou a sentir alguma dificuldade em faze-lo de forma sistemática, ou seja, não me é fácil assumir um compromisso de escrever 3 ou 4 vezes por semana sem que esteja a experimentar sensações sejam elas mais ou menos fortes e a verdade é que ultimamente a minha vida está bastante “alisada” numa boa disposição que quase me irrita porque pode significar comodismo; justifiquei assim a falta de vontade de escrever que tenho tido ultimamente em contraponto com a vontade de conversar que tem sido bastante, apesar de ter poucos interlocutores com vontade de me ouvir! Lembrei-me então de alguém que um dia me explicou o efeito Kulechov.

 

Pensei: Será que sou capaz de aplicar o efeito Kulechov à escrita? Passo então, para aqueles que não o conhecem, a explicar o efeito Kulechov que, no meu entendimento, não é mais que uma técnica para condicionar sentires ou obter reacções.

 

O efeito Kulechov pode ser resumido com a história do mesmo. Foi pedido pelo Sr. Kulechov a um actor, que não sei quem é por ser indiferente para a história, que se apresentasse de forma inexpressiva, tendo essa imagem sido registada! Essa imagem sem expressão foi posteriormente apresentada a uma plateia associada a imagens como erotismo, um caixão de uma criança, uma pistola ou um prato de comida, sendo que, os espectadores passavam de imediato a descrever a mesma imagem inexpressiva do actor como expressando desejo, tristeza, medo e fome! A conclusão desta história é simples, existem objectos ou imagens que podem conferir intensidade expressiva a quem num dado momento não a tem.

 

Ora, nos próximos dias irei tentar utilizar algo similar a este efeito para despertar reacções que levem a escrever, tentando assim matar a preguiça que ultimamente me acompanha.

 

Afinal no início da sua história o cinema não era arte, sendo que a escrita sempre o foi. Hoje são ambos artes (o cinema é a 7ª escutamos muitas vezes!) e pode ser que algumas técnicas que estão na base do mesmo (e já agora, que estão na base do mau jornalismo e informação) possam ajudar a fazer a pena (hoje teclado do computador) discorrer insanidades ou coisas sérias sobre a vida e as vivências.