No jornal público de hoje vem um destaque especial com a rainha de Espanha. Parece que a senhora falou (corrrrorrrr!!) e disse algumas coisas que não era suposto dizer. Como o marido não estava presente não foi a tempo de lhe dizer “porque no te callas”?

Ditos e desditos à parte, o que me irrita um naco é a tendência nacional para dar importância as irrelevâncias que nos chegam do pais vizinho. Será assim tão importante ou relevante para nós? Não bastam as revistas cor-de-rosa lusitanas para nos mostrar todo o mundo social castelhano e dos povos que os têm de aturar?

Não, não tenho qualquer complexo em relação aos Espanhóis. Para dizer a verdade são-me totalmente indiferentes. Para mim, de Espanha nem bom vento nem bom divertimento, como costuma dizer o povo!

Até a nossa querida RTP tem uma correspondente em Madrid que nos costuma brindar com uma série de reportagens 90% das vezes inúteis. Se querem falar de coisas sem grande relevância não precisam gravar em Espanha. Façam-no por cá. Há muito para mostrar e seguramente sai mais barato.

Aceito que o concelho vizinho do meu tenha algum complexo de inferioridade, afinal de contas têm razão para isso. Agora que Portugal tenha que estar sempre a bater a pala a Espanha já me parece demasiado, até porque não existe nenhuma reciprocidade. Se eles não nos ligam nenhuma porque razão havíamos nós de perder muito tempo com eles (já basta o tempo que se perde a atravessar Espanha de carro. Aquilo até tem muito terreno, mas também podia ter sido nosso. Nós é que não quisemos e fizemos bem. Afinal de contas não tem petróleo, nem diamantes. Fizemos bem em ter ido para África).

São mais evoluídos? São mais ricos? Mais divertidos? Têm melhor futebol? Sim, e depois? Porque razão não olhamos para outros povos que ainda tem mais isso e qualquer coisa do que eles?

Sei que há muita gente que tem Espanha como referência. Também há muita gente que costuma dizer que os Filipes nunca deviam ter ido embora de Portugal (quem foi mau a história é natural que diga isso. Eles não foram embora. Eles foram corridos, é bem diferente!). Eu por mim, mal por mal continuo a ser Português. A história faz-se e conta-se é no fim.

A verdade é que ao longo da história nunca nos tivemos que esforçar muito para bater nos espanhóis. Perderam quase sempre. Ao longo de 800 anos de história só conseguiram tomar conta de nós por 80 anos. 10% do tempo. É muito pouco para quem se diz e se acha tão bom (eles preferem não falar nisso porque os envergonha, naturalmente).

Por ter um adversário tão fraco nunca nos tivemos que esforçar muito e a uma certa altura fomos à procura de novos adversários porque aqui na península não havia competição.

Hoje no mundo em que vivemos, em que há adversários por todo o lado, a história é outra e somos mesmo forçados a prepararmo-nos para essa luta intensa, profunda e sem tréguas. Não há alternativa.

Perder tempo com os espanhóis é que não. Nós precisamos e queremos jogar na super liga, vencer e ultrapassar os melhores e esses definitivamente não moram aqui ao lado