Quando não amamos

Quando não pensamos

Quando não sentimos

Esperamos

Esperamos pelo último batimento do coração

Esperamos pelo último sopro da razão

Esperamos que os de negro nos recolham

Esperamos que estes nos ceifem a vida

Quando não amamos morremos

Quando não pensamos caímos

Vai-se a esperança

Desvanece-se o crer

Rasgam-se os sonhos

Esventram-se as ideias

Esperamos pela morte

Expomos o que sentimos

Explanamos os nossos desejos

E não obtemos resposta

Sofremos

Sofremos à espera de sinais

Sinais que só nós vemos

Sinais que fazem o coração bater

Sinais que nos impedem de morrer

Mas que também nos impedem de viver

Quando sentimos indiferença padecemos

Dói não termos as respostas

Vive-se a mágoa da solidão

Padecemos de enfermidades mortais

De chagas vindas não sabemos de onde

E para as quais não há cura que não seja voltar a amar

Voltar a pensar

Voltar a acreditar

A ter fé

Sofremos e sobrevivemos

Fechamos portas que voltamos a abrir

Escancaramo-las com a força sobre-humana que só os sobreviventes possuem

Sentimo-nos um dia a morrer

Mas renascemos com a semente que voltamos a plantar

Renascemos como a mais bela das flores