Convencer-me que numa reunião gastronómica, maioritariamente sindicalista, não é sábio dizer que as manifestações programadas empunhando cartazes de sufoco e mal estar pelo estado da nação, descendo a Avenida da Liberdade, são obsoletas e fazem lembrar as marchas populares, pelo que as novas manifestações deveriam passar pelo fecho das principais entradas rodo e ferroviárias por tempo indeterminado e aguentar a possível carga policial, afim de se ver quão democrático é o estado.

Convencer-me que numa reunião, maioritariamente contra-lusa, não é sábio proferir que não me sinto responsável pela chacina provocada pelo V Império de Além e Aquém Mar, e que os mártires da nação vivem no escuro de uma pátria que continua a viver sob o fantasma do colonialismo.

Convencer-me que numa reunião, maioritariamente católica, não é sábio dizer que o Milagre de Fátima foi a soberba mentira do século XX, inicialmente usada em benefício dos interesses da Primeira República e do Estado Novo, e posteriormente permitiu o uso das Lajes ao abrigo de uma Aliança do Atlântico Norte contra o avanço do espectro comunista e do seu Pacto de Varsóvia.

Convencer-me que numa reunião gastronómica, maioritariamente feminina, não é sábio proferir que mulheres de saia sentadas de perna aberta, e mulheres que ao baixarem-se dão a conhecer o início da sua curvatura cocixiana protegida por uma lingerie que não seja preta ou branca não são sinais de provocação sexual, mas sim de desleixo e fraco gosto pela essência de ser M de Mulher.

Convencer-me que numa reunião, maioritariamente solitária, não é sábio dizer que conseguirei adivinhar os números do Euromilhões, que me permitirão deixar de ser uma marioneta humana, e de ter uma vida tão estúpida trabalhando de sol a sol, seis dias por semana para ficar sem 25% do vencimento do final do mês para o Estado, já para não falar das outras contribuições para Instituições bancárias e alimentares.