O comum dos mortais lusitanos paga para ter serviços públicos, mas raramente tem contacto directo com os mesmos, o que é bom.

Os outros, os contactam regularmente com os serviços públicos, entram, com enorme frequência, em desespero, perdem as estribeiras e conseguem perder todas as convicções politico-ideológicas e desejam e acreditam que o estado tem que ser desmantelado em 6 meses (usando uma expressão do ex-futuro primeiro-ministro, quiçá guru politico, Luís Filipe Menezes).

Queremos um médico num centro de saúde? Ok, 5 de manhã é uma boa hora para ir para a bicha (a minha avó também falava como a avó do Vintage70) ou então há sempre um serviço privado a partir de 40 euros.

Queremos um filho numa escola pública numa cidade? Ok, talvez ele consiga sobreviver no meio da selva. Se não conseguir (florzinha de estufa, é o que a criança é) há sempre uma alternativa privada (Quem foram os responsáveis pela dolosa degradação das escolas nas cidades?)

Justiça… seria injusto, da minha parte, não chamar os bois pelo nomes, por isso PASSO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Finanças.. o modo como as finanças funcionam actualmente está entre o trágico e o inacreditável. Vale tudo menos arrancar olhos! Perseguem os coxos pelas esmolas que ganham, mas ao Domingo é vê-los nos estádios de futebol ao lado dos homens da bola, essa gente super competente e de sucesso que percebe de construção civil, tráfico de mulheres e “futebolistas”, estupidofacientes e off-shores e que continua a viver na maior das impunidades.

O famoso estado social tem, ao longo dos anos, criado uma nova classe profissional, que são os subsídio-dependentes, para quem pagar 5 euros por uma renda é um roubo (agora até se descobriu que doutas personalidades também pagam 5 euros de renda na capital do pais em casas da autarquia e que ficam escandalizados com a denúncia) ou fazer qualquer coisa pela sociedade é uma tortura. Quem grita… mama, quem não grita ou não tem forças para gritar – os idosos, por exemplo, morre muitas vezes na mais pura das misérias.

Se presencialmente não é fácil, telefonar para um serviço público sem tomar xanax é muito pouco recomendável.

Acredito, sinceramente, que vou viver menos uns meses por já ter passado demasiados dias a tentar resolver problemas pessoais e de entidades privadas em serviços públicos.

O texto podia continuar, com mil e um exemplos diferentes. O assunto em causa, por si só, dava para fazer um blog com inúmeros especialistas – uma espécie de Ministério do Serviço Público, com relatórios xpto, livros brancos, verdes, amarelos e negros (como se já não existissem…). Certamente que podia e iria receber fundos do estado e da União Europeia.

Sei que muitos dirão que somos governados, directa e indirectamente, por corruptos, gente sem nível, bla bla bla. A história do costume! Mas o que a história também nos diz (e há especialistas que poderão confirmar) é que andamos há dezenas de anos nisto, e que a culpa que herdámos dos nossos antepassados corre o risco de ir parar às mãos dos nossos filhos! Será um problema genético?