Esta tarde aconteceu-me algo bastante estranho e engraçado … decidi ir dar um passeio um bocadinho mais longo, no inicio do caminho uma senhora dirigiu-se a mim e perguntou-me se para a Casa da Música era para baixo? A senhora ia literalmente no sentido contrário ao da Casa da Música, e eu lá lhe disse que era para o outro lado, disse-lhe que não era muito longe de onde estávamos e que eu ia a pé para lá, a senhora ainda falou qualquer coisa sobre apanhar o autocarro, eu disse que de autocarros não percebia nada. Ela lá pensou que como eu estava com um carrinho de bebé não devia ser mesmo muito longe … e decidiu também ela ir a pé, e lá veio comigo.

O que eu não me lembrei é que o que se calhar não é longe para mim, para os outros não é bem assim. De referir que a senhora estava de mules de salto alto, uns sapatos nada confortáveis para caminhar. Enquanto íamos a andar ela lá contou que tinha ido a uma entrevista no Bessa Hotel, e queriam que ela ficasse a trabalhar até às 8 horas, mas ela disse que se não tinham sapatos para ela não ficava, a escolha dos sapatos para este dia não tinha sido a mais correcta. Depois perguntou-me se eu fazia aquele caminho todos os dias … se calhar já lhe estava a parecer longe … depois murmurou mais qualquer coisa sobre autocarros o 22, 33 mas lembrou-se que eu não percebia nada de autocarros e não continuou. Ainda lhe perguntei (para não parecer mal não dizer qualquer coisa) como tinha corrido a entrevista, ao que ela referiu que a governanta não tinha gostado lá muito dela, os culpados seriam os sapatos?  

Antes de chegarmos à Casa da Música ela decidiu ir para outro lado e dissemos Adeus.

Realmente é engraçado se tivesse sido um homem a fazer esta abordagem … será que era igual? Se calhar não … preconceitos? … talvez …

 

Quando não tiverem nada que fazer em casa caminhem, nem que seja para observar a azafama da nossa sociedade.