Existem muitas expressões em Portugal, e seguramente fora deste quintal, que falam nas mudanças de idade, nas degradações físicas, mentais e psicológicas, mas também há muitas para dizer o contrário, elogiar essa evolução. Tudo somado temos 100% de hipóteses de dizer uma coisa e o seu contrário: “Quanto mais velho melhor”, “A idade é um posto”, “Já tens idade para ter juízo”, “De pequenino se torce o pepino”, “Burro velho não aprende línguas”, eticeteras, eticeteras.

Vamos a inzemplus:
Quando eu era pequenino, e praticava futebol, fazia-me confusão quando um jogador anunciava o fim de carreira. Fim de carreira? Mas porquê? Já não lhe apetece jogar mais um ano? Já está rico?

Já passaram 2 dúzias de anos + IVA desde esses tempos e hoje quando jogo futebol é rara a vez que não fico com uma dor qualquer, para além da capacidade de mobilidade ter diminuido de forma significativa. Até fico com pena de mim! Já são poucas vezes as que aceito jogar porque já sei que a forma é má e a probabilidade de aleijar-me é muita. E se eu adoro jogar futebol… Ainda não anunciei o fim de carreira para não dar parte de fraco!

Também me deixei de noitadas, porque, por um lado, já ninguém da minha idade faz noitadas e porque, por outro lado, no dia seguinte… parece que levei uma tareia de um gang qualquer! O corpo recupera, claro, leva é uns dias e não umas horas. Quando se era menino e moço nem se pensava nisso. Quanto mais melhor e dormir dormia-se a caminho da escola/universidade ou faltava-se às aulas. Actualmente, pensar em que se vai para a caminha tarde já faz pensar, duas ou três vezes, se dizemos que sim a um qualquer convite, até porque faltar ao trabalho dá muito mais trabalho (ou menos, se fizermos isso muitas vezes).

E viajar a dormir mal e a comer mal e porcamente? O que interessava era pegar no saco e ir para longe, porque o resto via-se no momento da verdade e quando pior se dormisse e comesse maior e melhor era a história que se tinha para contar. Hoje… a paciência para essas aventuras já não é tão grande. Porque, por um lado, a carteira tem mais dinheiro, por outro é o próprio corpinho que pede uma cama em condições senão no dia a seguir faz greve de zelo e só funciona com os serviços minimos.

Quando os meus pais convidavam os meus avós para ir a qualquer lado, muitas vezes eles diziam que queriam ficar sossegados a descansar. Descansar, descansar do quê? Pensava eu…

O tempo molda os nossos conhecimentos, o nosso corpo e a nossa realidade.

Mas ser mais velho tem outras vantagens. Perdemos menos tempo com futilidades e com stresses inúteis, temos mais algum dinheiro na carteira para fazer coisas que gostamos e valorizamos mais as pequenas coisas da vida.

E há sempre boas alternativas para aquilo que já não é tão fácil. Não se tem tanto gozo a jogar futebol? Fazem-se outro tipo de desportos igualmente prezenteiros.

Não se fazem noitadas? Não há problema. Já sabemos que não vamos conquistar metade da discoteca, mas sabemos que podemos ir jantar com amigos a um local especial, sem pressas, sem barulho e longe da confusão.

É tudo uma questão de adaptar a vida à realidade. Todas as idades são boas para sermos felizes, basta estarmos atentos, despertos e acreditar que o elixir da eterna juventude está na nossa cabeça e não no nosso corpo.

Adenda: Ontem no supermercado ouvi mais uma expressão que se enquadra neste texto “Velhos são os trapos”