“Peço perdão a todas as musas que amei e a quem fingi não amar,
e a todas que amei e a quem só dei desgostos.

Peço misericórdia à minha filha por nunca lhe dizer que a amava,
e à mãe por ter amado e não lhe ter dito.

Aos meus pais por não ter sido o príncipe merecido,
aos meus amigos por não ter estado presente nos momentos certos.

Aos meus irmãos mais novos, peço desculpa por nunca vos ter ensinado nada
e tão pouco vou ter protegido em momentos de aflição.

Peço ainda misericórdia divina aos deuses por não ter sido um santo,
aos meus companheiros por muitas vezes lhes ter dado desprezo.

Peço ainda desculpa aos que apostaram em mim e perderam duplamente,
e a mim por não ter sido quem devia ter sido, apesar de o prometer tantas vezes.

Peço desculpa ao mundo por ter feito muito pouco por ele.

Peço finalmente desculpa ao mar por aqui morrer, mas melhor sitio não havia, diria eu,
porque é grande, tão grande quanto a minha insignificância!

O que levo desta vida.. é a roupa que me pesa!”

* morreu ao largo do capo espichel, no dia 27 de Setembro de 1708, e a sua dor era tanta que o seu relato foi ouvido a km de distância