Vamos lá então falar de dores… não de alma, não de corno, nem daquelas que resultam de algum golpe no baixo-ventre! Vamos falar de dores nos artelhos… coisa da qual não percebo nada mas que espero vir a sentir. Não porque a dor me provoque prazer (!) mas porque creio ser necessário experimentar tudo (ou quase!) para sentirmos essas dores! Elas chegam com a idade e eu ainda sou jovem.

 

Ora, neste momento aqueles que já cativei com os meus escritos já perceberam que isto não vai levar a nenhum lado… por isso terei que recomeçar!

 

Enquanto escrevo estas linhas estou a bordo de um A320-100 a caminho dos Açores, São Miguel, Ponta Delgada!

 

Caro leitor, o que vos vou relatar aconteceu, é real e é dos momentos mais caricatos que vivi até hoje apesar de ser simples… vou seguramente contar esta história milhentas vezes… a mesma vai evoluir e ficar mais rica! Serei sempre o protagonista deste conto que irei desenvolver… Caros amigos, a verdade é que não sabia a resposta à questão que coloquei. Sabia simplesmente que ia para o Açores com mais umas dezenas de almas com quem partilhava o voo.

 

Chamei a hospedeira e disse-lhe: Vou fazer-lhe a pergunta que penso ser a mais estranha que alguma vez alguém lhe fez nestas circunstâncias. Diga-me? – Replicou de forma defensiva e assustada. Pode-me dizer qual é o nosso destino?

Acho que quase desmaiou. Como é que alguém que está dentro de um avião não sabe para onde vai… Queridos amigos, porque o cansaço é tremendo, porque por vezes actuamos instintivamente e porque quando se está dentro de uma avião isso não interessa para nada… Quem é que em pleno juízo se lembraria de colocar tal pergunta, deve ter pensado…

 

Quando formulei a pergunta estava a ouvir uma música chamada “Getting away with it all messed up” e a verdade é que faltava uma hora para terminar o voo e desde que coloquei a questão até que sai de dentro do avião todos os assistentes de bordo olharam para mim de forma estranha… É louco devem ter pensado! A confusão na cabeça daqueles seres era alguma! Eu ria internamente com a situação que lhes criara. Sã alienação que me possibilita jogar com os outros de forma a estudar-lhes as reacções e a melhor avaliar as almas que me rodeiam.

 

Não, não me doem os artelhos e por isso não quero que volte a mocidade. Se ela voltasse cometeria exactamente os mesmos erros, simplesmente o faria com mais estilo!

 

Se eu estivesse num qualquer café ou restaurante e tivesse perguntado à mesma pessoa qual era o nosso destino, no mesmo tom, com a mesma voz e olhar será que achariam a pergunta estranha? Não me parece, provavelmente dissertaria sobre os sonhos e os anseios que tem, provavelmente até que me doessem os artelhos.

 

Serão dores nos artelhos artroses nos joelhos?