Os jogos olímpicos 2008 já fazem parte da história.

Os chineses fizeram história, mas a história portuguesa repetiu-se. Excelentes resultados (que confirmam algumas excepções do desporto português), sonhos desfeitos, medalhas perdidas e a tradicional algazarra.

Sonhar não custa, mas a realidade do desporto português é tão pesada que não dá para tirar os pés do chão.

À falta de melhor, à falta de incêndios, o home lusitanus, despejou todas as suas habituais frustrações em meia dúzia de desgraçados que concretizaram o sonho e por mérito próprio foram até à China.

Fomos nós que pagámos? Sim, é verdade, mas também fomos nós que pagámos os estádios de futebol que estão permanente ocupados por cardumes de moscas, não é verdade? Os responsáveis não ouviram nem foram chateados tanto como os nossos olímpicos.

A verdade é que uns sonharam ir a Pequim, os outros passam férias em sitios exóticos e não tiveram que aturar a comunicação infernal.

Já não há moleirinha que aguente tanto fel e tanta justiça popular, seja feita à mesa do café ou na imprensa.

Aos profissionais da má língua digo que façam alguma coisinha de jeito pela vida, qualquer coisa de diferente, ousem arriscar e dar a cara. Desliguem a TV, dêem descanço ao sofá, deixem-no respirar.

Dar à língua não custa nada, basta abrir a boca.

Correr e dar à língua já custa um pouco mais.

Nadar e dar à língua… bom, experimentem e vejam o resultado. Muitos são capazes de ter uma surpresa!

Mas também tenho um lamento a fazer: Pena que o lingismo ainda não seja modalidade olímpica. Não faltariam pessoas a cumprir os mínimos e Portugal seria um forte candidato a obter a 3 medalhas. Até o comandante Vicente poderia participar!

PS: Este texto foi escrito sentado numa esplanada naquela que foi a primeira capital do reino e é uma das mais bem preservadas cidades da república. Raramente me sento numa esplanada, porque o espaço envolvente deixa muitas vezes a desejar, mas aqui o dificil é escolher!