A festa de casamento é por norma uma boa seca, toda a gente sabe que é uma seca e ainda ninguem conseguiu inventar um sistema que funcione melhor, até porque neste tipo de festas não há muito espaço para experiências. Uma experiência mal sucedida é uma vergonha para a familia, num país tradicional, pouco dado à criatividade e sempre pronto para dizer mal de tudo e de todos.

Começa com o que se pode e deve vestir. Ir de calções ou calças normais e t-shirt parece mal, mesmo que estejam 40º graus. Quem é que não gosta de uma boa sauna? Ir sem gravata também é uma ousadia, mas, nos tempos que correm, até os cozinheiros do McDonalds usam gravata. Nunca fui muito adepto de imitações.

A missa…  já fui a mais casamentos do que a missas de casamento! Os padres são chatos, enfadonhos e juízes numa instituição que vende moral à pazada, mas que faz jus ao ditado “em casa de padre raramente falta madre!”. Raras, também, são as vezes em que um padre une os casadoiros não apontando o dedo do diabo e limitando-se a proferir os alertas que são de bom-tom fazer. O dia de casamento deve ser uma festa, já basta o que vem a seguir. Ao padre do último casório, mal lhe vi a cor, mas o coro parece que esteve muito bem. Do mal, o menos. Música por música, que seja bem cantada.

Finda a missa, a romaria segue para o local do repasto e das fotos, que também são sempre obrigatórias. Depois de quase 2 horas entre o início da missa e a chegada à “Quinta”, os convidados atacam tudo o que tenha ar de comida, e esperam ansiosamente pelo momento das fotos para que possam, logo de seguida, desapertar o nó que lhes aperta o pescoço!

As fotos… primeira parte… familia, amigos, e outro tipo de convidados. Depois, o momento em que os noivos tiram todo o tipo de fotos, embalados que estão pela música do fotógrafo. Junto a uma árvore, junto ao ribeiro, junto a uma varanda, a olhar mais para a esquerda, mais para a direita, mais para baixo, mais para cima… ao fim de 1h30 todos os convidados começam a rosnar, mas ninguém levanta a voz!! Hoje é dia de aguentar tudo estoicamente. Os amigos casadoiros merecem e dias não são dias, como se diz no Algarve. Quando as fotos… uma recôndida gaveta espera por elas.

Depois do fotografo ficar exausto, toca o badalo e todos correm para as mesas, na esperança que não ficar na mesma mesa que a melga sarnosa que quando era mais novo já era uma besta-quadrada ou na esperança que todas moças giras fiquem à sua beira. Como sempre, quem organizou as mesas não é benevolo comigo!

Os pratos sucedem-se, as criticas, as conversas de circunstância também e nunca mais abre o buffet. Ponto de ordem na mesa: Porquê é que temos de comer tudo aquilo que não nos apetece quando o buffet está mesmo ali ao lado, cheio de doces, queijos, enchidos, marisco? A penitência continua… tragam o padre de volta! Eu confesso tudo!

Ao fim do terceiro prato o estomâgo está atolado, e a já se ouvem os primeiros acordes da música… a festa vai ganhar outra dimensão. Vivà música, vivá dança, viváos noivos!! “E quem não salta ou dança, é porque só veio para encher a pança!”, lá diz o ditado. As gravatas voam, as mangas arregaçam-se e vêem-se os primeiros cabelos do peito de alguma boa gente!

O buffet finalmente abre, os olhos bem querem, mas o estomâgo está fechado para obras!

Aos poucos os convidados debandam, uns pelos filhos, outros porque dizem que é pelos filhos, outros porque já antes de chegarem já queriam ir embora e outros porque o sofá e comando da tv clamam pela sua presença. Fazem-se juras que nos havemos de ver mais vezes, trocam-se números de telefone (ou emails, para ser mais moderno) que nunca se vão usar.

Os noivos partem para um destino exótico (para uma praia no outro lado do atlântico), os pais dos noivos enchem os carros com tudo o que sobrou, os cheques e as prendas estão entregues, as luzes apagam-se.

A festa chega ao fim!