Insanas paixões brotam da glória olímpica e a pátria clama pelo ouro de lei!

Doidice maior apenas surge quando rola o esférico, a matula desperta todos os instintos do Austrolopiteco Luso e a baba escorre a rodos, invariavelmente, somos trucidados por Zidane, Pilro e chapeladas checas (nem com uma grua o Baía lhe tocava). Já me esquecia! Até os cornudos do norte vão de papo cheio (os sacanas dos vikings saquearam Lisboa, sugaram a lusa cevada, apanharam um escaldão tipo sapateira e… ganharam o fdp do jogo). Lindo!

Agora Pequim, palco de paixões e desilusões. Confesso a minha plena rendição ao evento, permitiu-me fazer sessões contínuas de desporto durante três semanas. Foi um festim de performances dos atletas (aquilo do Phelps não é justo, o resto da malta anda a treinar quatro anos para quê?). Continuo a considerar um excesso toda a polémica gerada a propósito do almejado ouro luso, qualquer atleta presente merece o nosso respeito. Será sempre fácil sacrificar um bruto (o gajo da soneca) cujos atributos são atirar uma esfera de metal (ó gente, aquela porra é pesada!) e esperar que a criatura discurse de forma elegante e sábia.

Tenham paciência! O homem deitou os bofes pela pátria e aproveitou para dar o seu passeio; comer a sua cascavel gratinada, recheada com grilos mudos e… dormir uma soneca de estalo.

Pergunto eu:

– Qual é o problema?

Respondo eu muito sábio e nada apto a arremessar objectos contundentes:

– Inveja estimados leitores, repito, Inveja!

O Homem Luso perdoa todos os desaires (noitadas antes dos jogos, prostitutas a circular nos hotéis, dirigentes em lautas jantaradas, champanhoca até estoirar o fígado, enfim… estágios de alta competição) agora, um marmanjo a sofrer de:

a) pouca esperteza;

b) jet leg, Jet Li e je ne sais pas;

c) enfartamento do estofado de caniche, apurado com raspas de ânus de tatu birmanês;

d) tripa irritada, derivado de uma água engarrafada e selada na nascentes do Rio Ká Gá Neira.

Isso não!

Alto!

O bruto anda a comer à conta e ele é soneca! Pontapé no cú e guia de marcha para Lisboa! Grande exemplo! Em Portugal não se brinca com o lançamento de peso. Os putos que andam atirar paralelos às janelas da fábrica velha esqueçam, desistam do sonho olímpico e dediquem-se a esfarelar os dedos a jogar Gameboy. Com o peso não se brinca, gastaram-se biliões de euros num bruto para o marmanjo debitar a palavra proibida, ainda por cima a rir-se (o cabrão, a levar-nos o ordenado e a mostrar o teclado de alegria). Até a Vanessa do triatlo (nem bonita, nem boa, nem esperta, Pá!) sacou do aparelho e afinfou no caramelo, só faltou ter o velho Lau – tipo emplastro – a dançar o fandango e a mimar o malandro com um:

– Sofre bruto! Sofre! Esguicha sangue das articulações que o Lau gosta! Come pedra britada para estancar a caganeira que é o que a malta faz na na Bimbalheira! Sofre sacana que isto sem uma fractura exposta não tem graça!

Tirando isto tivemos o nosso Ribatejano que no dia antes da corrida só temia Deus. No dia de mostrar a cagança teve um desarranjo nas rótulas. Segundo consta Deus com receio da ambição desmedida foi o responsável pela lesãozinha, não fosse o minhoto almejar carreira divina.

Refiro apenas os episódios que mais me divertiram, no fundo as medalhas pouco me importam, dói-me imensamente mais ver o que se passa a nível desportivo neste Portugal tão ambicioso, Benfica – Porto apenas 4 atletas nacionais. Beleza!

Devemos analisar com seriedade a forma aleatória de como se é campeão olímpico e passo a enunciar a receita:

– Ter jeito para jogar ao estica (três pedras e os joelhos esfolados) no recreio.

– Ter um professor de educação física da raça carola.

– Não ter medo de lascar a bilha no pelado do Damaia Sport Club.

– Acordar cedo para treinar que nem um louco e lascar a dita bilha em piso adequado a este tipo de salto (cimento com cascalho saliente ou alcatrão esfoliante).

– Saber que aos 50 anos terá as articulações todas rebentadinhas – para satisfação do velho Lau – e encomendar a cadeira Deluxe Champions com caixa automática e jantes especiais.

– Não levar uma lamparina dos progenitores derivada da falta de aproveitamento escolar, saltos cada vez mais longos e notas cada vez mais curtas.

– Correndo tudo bem, ganha-se uma medalhita e dali a dez anos a malta interroga-se?

Nélson quê?

O mínimo que se pode fazer é respeitar estes heróis do mar (por falar em mar, lembrei-me das nazarenas de bigode para fazer um daqueles anúncios internacionais com a Vanessa Fernandes, talvez, ela se destacasse … ou, talvez, a mais bonita fosse a Elvira com um buço aparado à Harold Flynn).

Já agora levantem os rabiosques da poltrona e vão dar uma corridinha, nunca se sabe e Londres é aqui tão perto.

P.S. Que a Mula da Bo Derek seja entronizada no Paraíso dos Equestres num leito de aveia e cenoura tenra. Bem Haja!