Terceira tentativa, esta coisa do casório anda-me a moer o juízo, duas vezes tentei abordar o tema e nicles! Convém, por uma questão de honestidade intelectual afirmar o seguinte:

Não sou, nunca fui e (cheira-me) que jamais farei parte do clube das anilhas. Existem diferentes modalidades nesta coisa de viver a dois, passo a enunciar: os ungidos pela Santa Madre Igreja (tudo abençoado, os pecadinhos todos perdoados e classe executiva no expresso do Senhor); a malta do registo (pelo sim, pelo não, deixa cá assinar a papelada. Quando se ouve o estrondo do selo branco Cabum! Um dos cônjuges sente logo uma pontada); os ajuntados (que se f..am os protocolos! Nem quinhentas velas acesas pela avó Zulmira em Fátima os demovem. Valentes!!!); os migrantes (ora na minha casa, ora na tua. Uma espécie de sacanas com pilim que para não enjoar muito andam de poiso em poiso, os ciganos do amor).

O momento que marca a diferença do namoro, flirt, vaipe, devaneio é quando duas criaturas resolvem partilhar um espaço a dois com a regularidade diária (não são para aqui chamados aqueles que vivem em time-sharing). Convém referir que a coisa para se poder apelidar de tal tem de durar pelo menos três mesitos (inferior a isso é uma espécie de test drive).

A questão que se coloca é encontrar a tal (parto sempre do princípio que a tal sente o mesmo pelo sapo, ou então a coisa não tem viabilidade). Será que existe a famosa alma gémea?

Existe! A gaita toda é que existe (nestes biliões de princesas que por aí circulam há uma especial). O problema é encontra-la dentro do prazo de validade, isto é, antes de mancarmos de uma perna, começarmos a temer os amuos da próstata e de alguém nos fazer o toque rectal. Quantos têm a felicidade de poder dizer que a encontraram?

Poucos! A maioria nunca chega a vislumbrar alguém deste calibre e muitos encontram esse alguém tarde demais. A grande maioria das mulheres resplandecentes (lindas, inteligentes, profissionalmente realizadas, alegres, feras na cama e boas progenitoras) são cobiçadas desde muito cedo e normalmente casam rapidamente (invariavelmente passado pouco tempo estão infelizes, mas isso é um feeling do escriba). Alguns de nós já pisámos o chão incandescente, já sentimos ter encontrado a tal e quando isso sucede o mundo para de girar, está ali tudo o que queremos (o amor das nossas vidas). A tal não é um capricho de amadores de corações (gente que se apaixona a cada minuto que passa) é assunto para corações experimentados (gente que amou sem limites e sabe distinguir o apetite carnal de um ser celestial). Amar é um contraste de sabores que nos foi mal ensinado, amar é ser supremamente feliz, saber perdoar os outros e jamais ser um rafeiro disposto a tudo para receber nada em troca.

Felizmente nunca casei, podia ter acontecido mas, graças a novos caminhos que surgem no momento decisivo acabei por recuar. Raramente vejo casais que me provem que vale a pena dar o passo (para ser sincero só conheço duas pessoas que se amam e fazem por isso todos os dias). Resta aguardar que chegue a princesa na sua caleche doirada, algures no planeta existe uma cachopa que se vai deliciar com as minhas teimosias, caprichos, pancadas e vai achar que são virtudes, enfim…!

P.S. Não me saiu bem a prosa, tenho impressão de estar um bocadinho lamechas e armado em sapinho no pântano. Auto-estima no vermelho!