Casamento: “… união legal de homem e mulher para constituir família…” sic: Dicionário Português Porto Editora 3ª Edição.

 

Conto: P’RA QUE É QUE A MALTA SE CASA

 

Durante a sua juventude saltara de colo em colo. Carregava uma experiência de amores, paixões, romances e outras histórias. Pensava muitas vezes que não era de entre os seus amigos e amigas aquele que mais se destacava no campo dos amores falhados, mas já coleccionava algumas paixões assolapadas que não haviam resultado, ou bem porque a conquista falhara ou porque tendo esta resultado a realidade se mostrara distante das expectativas criadas.

 

A única real prorrogativa que colocara em todos os seus relacionamentos é que teriam obrigatoriamente que ser com seres da mesma espécie e de sexo oposto… tinha no entanto ressalvas quanto à quantidade dos mesmos e ainda hoje não resolveu este problema.

 

Não é meu hábito parafrasear ou citar criadores e não me aproprio das suas frases, mas relativamente ao escrever isto recordo-me do Gabriel Garcia Marques quando escreveu “o coração é uma casa de putas: tem muitos quartos”. Permitam-me acrescentar, “e ocuparemos todos durante a nossa vida”, queiram os meus caros leitores entender com isto o que quiserem porque os que se casam terão que aprender e conviver com esta frase.

 

Ora a dada altura da vida aquele que cirandou de leito em leito, cansado de tanta aventura assentou arraiais com o ente por quem se enamorara. Celebrou então o dito casamento, assinou o contrato e constituiu família.

 

Porque fez isto o nosso herói? Para aceitar uma imposição social, para dar aquela que amava a festa do vestido branco, fazendo dela princesa por um dia, para agradar a todos o que ansiavam pela boda, para mostrar a todas aquelas que conheceu no passado que tinha encontrado uma melhor, para perante um qualquer Deus jurar amor eterno, para nos distinguirmos dos outros animais, tentando numas sociedades afirmar a monogamia e noutras o sentido de posse de almas… cada um terá as suas razões, todas elas boas, todas elas válidas mas muitas incapazes de suster no tempo tal acção… o nosso personagem casou porque quis e porque a pessoa com quem o fez também tinha o mesmo desejo… Provavelmente um dia terá que responder P’RA QUE É QUE A MALTA SE DIVORCIA…

 

A malta casa porque quer e se com isso for feliz que o faça tantas vezes quantas deseje, porque todos os contratos são passíveis de ser resolvidos, até aqueles que resultaram do amor!

 

Nota de autor: i) no outro dia conheci alguém que se casou e se divorciou. Hoje estes dois seres vivem juntos sem o contrato assinado; ii) apesar de socialmente defender tendências conservadoras a assinatura de contratos deve ser permitida a quem os quiser assinar… não importa o género, a raça ou o credo; iii) aos meus amigos que se casaram no dia 7 de Setembro de 2008 as maiores felicidades.