Conhecer alguém em profundidade é um processo e um projecto que dura uma vida… a de quem conhece e a de quem está a ser descoberto. Certo é que qualquer um dos participantes actua nos dois papéis.

 

É um processo que termina com o desaparecimento ou com a falta de interesse de um dos entes, sendo que o segundo me suscita uma dúvida porque acredito que o mesmo resulta da desilusão.

 

Tenho assumido diversas vezes que aquilo que tomei como objecto da minha vida é conhecer as pessoas… obviamente que para isso me tenho também que conhecer profundamente. Só assim não chago com os meus gostos e anseios as almas que perscruto.

 

Creio ter, por vezes, perdido o critério na minha análise, permitindo com isso que a minha imaginação me guiasse no percurso do conhecimento de outrem. Acontece que, quando isto ocorre, a disfunção entre o que se espera como comportamento e o que realmente se revela nos mostra a verdadeira criatura que está diante de nós. É também certo que a nossa capacidade de nos ajustarmos e justificarmos as diferenças que se nos deparam, redesenhando as nossas expectativas, mostra aquilo que esperamos dos outros e a importância que lhes damos.

 

A verdade é meus caros amigos, que estes desvios não são nem bons nem maus, são a diferença entre a forma como vemos os outros e aquilo que eles realmente são de acordo com a nossa leitura de factos e comportamenos, leitura essa sempre influenciada pelos nossos perconceitos  e formação… Lembrai-vos no entanto que também estão sujeitos a essa análise.

 

A minha grande dúvida é o que fazer ao descobrirmos que as distâncias entre o que imaginamos e o que realmente se nos depara são desmedidas. Devemos reformular as nossas ideias e conceitos ou desistir daquela alma…

 

N.A.: a racionalidade que faltava em “Conhecer um anjo…” publicado no MdP a 17 de Julho de 2008