Deixar de sonhar e abdicar da loucura é aceitar a verdade dos outros como sendo nossa, é abdicar da nossa individualidade, é por isso que há quem tente toda a vida viver uns segundos que sejam dentro dos nossos pensamentos tentado condicioná-los… outros habitam-nos sem que os convidássemos para tal, por vezes chegamos a desejar que abandonem o nosso espírito, outras vezes deixamos que nele vivam para que os transformemos em realidades, a tudo isto chamaremos sonhar.

 

Ensaiam-se mentalmente conversas, imaginam-se cenários de conquista, analisam-se palavras ditas e disfarçam-se evidências com a força da imaginação! Luta-se contra tudo e todos sem nunca provar a derrota e transforma-se o amargo em doce… vivem-se sonhos com a intensidade do real até se provarem sentimentos que de outra forma não se experimentariam.

 

Felizes dos espíritos que conseguem viver no limiar da loucura sem nunca transpor a fronteira que os iria agrilhoar há insanidade. Admiráveis são as almas que perante a dificuldade de discernir entre o real e o sonho conseguem voltar ao nosso mundo e nele lutar por ideais e por ideias. Assombrosos são todos aqueles que por mais insignificante que seja se arriscam a criar algo ou a expor ideais.

 

Há quem confunda estas gentes com vis a ambiciosos seres, sistematicamente tristes e descontentes com o que têm; Ou com gente perdida que não sabe o que quer e que tarda a decidir qual o rumo a tomar; Ou com míseros preguiçosos ou inadaptados sociais que se abeiram da demência incapazes de aceitar todas as regras sociais, mesmo aquelas que conduzem a castração da individualidade dos seres.

 

Quem rotula desta forma e abdicou da inspiração não acredita que é do absurdo que desponta a evolução e limita-se a viver como mais um. Se assim forem felizes que façam então bom proveito, saibam no entanto que não irão fazer mais do que viver a vida dos outros…