Esta semana tivemos mais um trágico acidente de avião, desta vez mesmo aqui ao lado.

O avião é o transporte mais seguro, mas quando há um acidente rara é a vez em que não morre a totalidade dos passageiros. Por norma, muita gente tem medo de andar de avião, mas eu tenho medo muito mais medo das estradas portugueses, pejada que está de snipers, terroristas, kamizases, condutores portugueses e armadilhas.

Mais uma vez pudemos constatar que quando há um acidente no estrangeiro, a primeira, e principal preocupação de qualquer jornalista que se preze, é saber se existe no lote das vítimas (mortais ou não mortais) algum português e, caso não exista, encontrar alguém que tenha um gene lusitano, ou até meio-gene, não interessa (até pode ter tido apenas relações sexuais com um português nos últimos 3 meses). Durante minutos ou horas, somos informados sobre o evoluir da investigação, ficando o país em suspenso até que seja identificado o primeiro caso. Quando não se encontra nada é ver a cara de tristeza e desalento dos homens e mulheres da informação. Compreende-se!

Sim, porquê é expectável e natural que existam portugueses em todo o lado, em todos os acidentes e desgraças que se abatem sobre o mundo. Afinal de contas, foram ou não os portugueses que deram novos mundos ao mundo? Ah bom…

Conta-se um e.. vai-se em busca da familia, do homem do café, do professor primário, do treinador-de-qualquer-coisa ou de alguém que tenha respirado o mesmo ar ou tenha visto na rua ou aldeia a vitima. Felizmente, toda a gente está sempre disponível para falar, mostrar os dentes, abrir as portas de casa, quiça contar uma anedota. O país agradece e os conhecidos da vitima também. Afinal, não é todos os dias que podemos ficar conhecidos. O sonho dos 15 minutos de fama torna-se realidade. Não foi preciso ir para a TV aturar o Jorge Gabriel ou participar num concurso tipo serviço-público.

Esta acidente já foi, sem resultados para quem trabalha na informação, por isso, venha o próximo. Os abutres não podem morrer à fome.