Cheios de saudadinhas?! Eu sei! A minha ausência injustificada tem uma explicação. O menino esteve em Benjing, pois é! Toma e embrulha! Não fui a Atenas por um triz, mas quando soube que as olimpíadas iam ser para as bandas do Oriente comecei logo a treinar.

Perguntam vocês com espanto:

– Qual a modalidade?

Respondo eu:

– Arremeso do bitaite estimados leitores!

Vocês:

– Nunca ouvimos falar dessa porra, estás a mangar com a malta?!

Eu:

– A malta é ignorante e estão é mortos de inveja!

A malta:

– Tens é a mania e vamos clicar daqui para fora seu malcriadão!

Eu:

– Não se abespinhem que o atleta explica.

Sempre quis representar as cores lusas e subir ao patamar mais alto do pódio olímpico. Cedo descobri não ter dotes atléticos de espécie alguma, então, procurei os desportos alternativos:

Arremeso da imperial- Sete bejecas de penalti num total de vinte e dois finos, fiquei em 37º e ainda me chamaram copo de leite (ganhou o Gageirão com barril e meio de cevada, saída de maca e grande ovação).

Arremeso da beata – Quatro maços de SG Gigante, três Charutos de palmo, cinco Mata Ratos, 46º em 46 atletas (nesse dia até o porteiro do pavilhão mandou abaixo mais um maço do que eu).

Desanimado continuei a busca do ouro olímpico, foi então que se fez luz, alguém me falou da possibilidade de participar num mini-torneio de Arremesso do palpite e a patir desse dia tornei-me imbatível. No ano passado  bati o recorde nacional da modalidade, nos quartos de final rebentei com um Paulo Portas muito em baixo de forma, ele submarinos para aqui, reformas para acolá, educação pirititi e eu à defesa, ele a crescer para mim e então eu afinfo:

– O amigo sabe o nível de PH na Barragem de Castelo do Bode?

Ele:

– Ohe… aaa… (todo borrado).

Eu:

– Ó senhor árbitro isto assim é bater em mortos!

O árbitro:

– Next!

Nas meias apanhei a Fátima Campos Ferreira e foi canja. A gaja cheia de bitaites sobre a Cova da Moura e violência e eu afinfo com:

– A menina sabe a medida regulamentar de um ponti-e-mola?

A gaja engasgada:

– Mas…aaa…

Eu um bocadinho à bruta:

– Se calhar sabe que é um navalha e não um corta unhas?!

A Fatinha abalou num pranto e foi vista, nesse dia, no Corte Inglês na secção de caça a fazer o trabalho de casa.

A final é que foi dos demónios, enfrentei o Sr. Mateus da barbearia, um sacana capaz de discorrer sobre qualquer matéria, nada lhe escapa, desde as propriedades do sabão azul até à Civilização Helénica o homem não hesita.

O magano a apertar comigo:

– Isto tá é bom para a nabiça?!

EU, encostado às tábuas:

– Melhor ainda para o rabanete e rábano!

O rival:

– Aquilo lá para a Geórgia tá uma trapalhada.

Eu, todo suado, quase a ceder:

– Desde a queda do muro que os camaradas não se entendem mas, o que me anda a preocupar é que a neta da D.Sofia fugiu com o filho do coveiro.

Foi a minha sorte, O Mateus não sabia! O gajo desconversou e meteu o minuto de desconto, alegou que tinha de dar uma mija e nunca mais lhe vimos a careca.

Amanhã continuo a saga e as aventuras por terras de Mao Tse-Tung.