Zás, zás, zás… aparentemente o meu amigo Vintage70 tem esta onomatopeia como significância para saltar para cima de algo…ao mesmo tempo que grita com um par de livros na mão: Que se f**** os pensamentos profundos.

 

Como não me apetece pensar decidi relatar um dos últimos saltos que dei (e são sempre sem pára-quedas) e, que não sendo um pensamento profundo, nem tendo nada que ver com cinema (que é coisa que até nem aprecio, sendo certo que quero ver o “Este País não é Para Velhos”) vai dar seguramente uma boa passagem num livro de memórias de alguém se é que nos vamos lembrar de alguma coisa quando tivermos que escrever as memórias!!!

 

5 p.m. (que é como quem diz 5 da tarde)… antiga capital do mundo (que é como quem diz Lisboa)… rio imponente (que é como dizer Tejo)… Estátua de cimento à nossa frente (que é como quem diz Cristo, que para alguns é rei e para outros daria um excelente atleta olímpico tal o tempo que aguenta de braços abertos sem ter que descansar… politicamente incorrecto, mas estamos no verão)…

 

Um par de amigos! Brasil… que em Portugal significa novelas, rodízio e caipirinhas! Escolhemos a última opção “and the story begins”…

n.b.: eu não gosto de bebidas destiladas, mas lá foi!

 

Visitado o Brasil e com vontade de abraçar o Cristo que continuava de braços abertos decidimos caminhar um pouco.

 

Experiência francesa… champagne… E o que é que vai bem com espumante? Sabem, sabem? Tudo… tentem com batatas fritas! Estamos a tomar balanço para o salto… fala-se de roleta russa, tiros na cabeça, eternidade, posteridade, divaga-se por tudo e todos, Miguel Ângelo, Leonardo Davinci, Gabriel Garcia Marquez, clássicos russos… as famosas histórias vividas, o Camões e as suas cambalhotas!

“Mientras eso llegan los Pimientos de Padrón, unos pican otros no”, lá estávamos nós com uma mão em França e outra em Espanha, sentados em Lisboa e a ver o Cristo de braços abertos… já estamos em plena comunhão com a vida. Que se f**** os pensamentos profundos. Amizade, bom tempo, conversa agradável e passeio pelos gostos do mundo… Terminámos… pensamos ir ao Japão, mas não havia lugar…

 

Água, vinho… alegria! Estamos dentro de uma mãe de água e o que vemos é vinho. Douro, escolhemos… lá vamos para o norte do país ao ritmo da batuta… as batatas fritas tinham ficado sós. E o que é que melhor acompanharia as batatas que dormitavam no nosso estômago? Sabem, Sabem? Mexilhões… Vamos até á Bélgica mantendo um olho no norte de Portugal… a histórias e os pensamentos continuam… cada vez mais risonhos! Lisboa já não é a capital do mundo mas oferece cosmopolitismo, seja lá o que isso for. As camareiras prometiam boa conversa e até a deram… Mas isso foi depois do queijo e de outra qualquer coisa que já não me posso recordar… quando a memória falha de que falam os amigos? Do futuro… imaginam… mas sem pensamentos profundos, até porque esses estão f******!!!

n.b.: partiu-se um copo de vinho. Devem pegar sempre nos copos de vinho pelo pé porque: 1. Assim não aumentam a temperatura do líquido; 2. Os copos não ficam cheios de marcas digitais facilitando a observação do conteúdo do copo. Este é um pensamento profundo e que podem partilhar com aqueles que agarram os copos como se de maçãs ou melões se tratasse.

  

Provamos mais umas coisas que já não sei o que eram e trocamos de bar… o que vendiam no bar? Vinho e pão com chouriço e torresmos… Estamos em Portugal. Mais uns copos e pão para ajudar à festa… garrafa tentadora à vista… vamos levá-la! Roubá-la diria… Vinho branco de onde? CABO VERDE!!! Sabiam que em CABO VERDE há vinho branco (ainda não o bebemos e já nem me lembro do nome – ficará para a próxima vez que saltarmos em cima da vida!!!)… Pagámos a garrafa de forma bem generosa com a gorjeta e o único que ficou foi uma diferença de stock que nunca conseguiram explicar. Ainda bem que eu não trabalho naquele bar!

 

Jazz (EUA)… Hot Club… tristes almas a ouvir triste música num ambiente diferente… há muita gente que gosta eu pessoalmente não sou conhecedor… Quem lá está canta, dança, aprecia a arte eu, pus um copo de vinho branco (Dão) na mão de quase todos os meus companheiros de salto, não de todos porque há um que só bebe sumos e gasosas.

 

Bairro Alto, cerveja, gasosa (lá está o moço outra vez!), cigarros para alguns e caminhada… a filosofia é muita, os pensamentos profundos também… muitas vezes limitamo-nos a libertar os pensamentos e os sentimentos!

n.b.: é perigoso urinar do alto da rua da misericórdia, pode estar alguém lá em baixo! 

 

Zás, tínhamos mais uma vez saltado para cima da vida… Depois disso e noutros dias já fomos à floresta caçar borboletas com paus, assustar-nos com texugos, atirar pinhas uns aos outros…

 

“Lá vai …alho meus amigos”, os que não souberem o que significa isto perguntem. O Conde responde! É com estes saltos e com outros, com este fortalecer de amizades, com estas experiências que têm detalhes muitas vezes imperceptíveis que pomos a vida a gritar de prazer…Zás, zás, zás… O Camões que me explique porque é que alguns têm receio de saltar… e de pensar sobre a vida!