Há dias estava a ouvir um programa sobre as aparições e milagres de Fátima*.

Nunca fiz qualquer peregrinação ao local, apenas parei uma vez com a família, há muito anos, para satisfazer a minha avó paterna que tinha pedido uma garrafão de água local. Já passaram mais de 20 anos sobre esse momento e, a bem da verdade, continuo a preferir água do Luso.

Fátima é bem conhecida por qualquer alma lusíada e até estou crente que no mundo não há católico que nunca tenha ouvido falar na santa. Em qualquer catálogo sobre o tema vem referenciada como a preferida de milhões e até o anterior Papa tinha-a como referência principal.

Tenho o maior respeito pelas pessoas que todos os anos rumam ao local num acto de amor e devoção, uma manifestação humana genuína, sem corantes, embora me dê alguma volta ao estômago a maneira como a igreja católica lida com o assunto (já agora parabéns pela nova basílica de Fátima).

Nunca fui ao sítio de culto nem sou especialista no tema, mas começo a acreditar que alguns problemas portugueses só serão resolvidos por intervenção divina e nada melhor do que alguém da casa para dar a atenção devida (ou divina) ao caderno de encargos exigente. Talvez seja hora de me fazer à estrada e apelar à santa que encontre uma solução, o tipo de solução que só ela e os colegas de profissão conseguem encontrar (cada um tem o seu nicho de mercado e nesta matéria não há conhecimento de situações de desemprego, nem de curta nem de longa duração).

Acredito que todos somos afectados por esses problemas, directa ou semi-directamente. Por outro lado, temo pela segurança de alguns, que contribuem fortemente para o desassossego nacional e o para o estado de tensão que existe, que se sente e cheira no ar e em algumas zonas balneares. Até começo a acreditar que eu devia ser preso preventivamente, desde já, porque em breve serei um perigo público. Tenho os nervos à flor da pele.

O caderno de encargos que apresentarei:
– Que o cérebro dos fumadores não pare no segundo imediatamente a seguir ao pensamento de fumar e que o fumo que libertam não lhes fique dentro do corpo, que não os torne mais leves e que não os leve para o meio do mar;
– Que os donos dos animais que despejam dejectos pelas ruas do pais não encontrem os mesmos dejectos debaixo dos lençóis quando se deitam;
– Que os escarradores amadores e profissionais não sejam fustigados por chuvas verdes dignas de qualquer tempestade tropical;
– Que aqueles que passam a vida a falar da vida alheia não sejam fiscalizados nem pela ASAE nem pela Prevenção e Irradicação da Libertinagem Alheia (PILA para os sócios e amigos. Por decreto oficial é a autoridade pelo zelamento dos bons costumes e boas tradições)
– Que assediadores das mulher alheias, uma subespécie do macho latino, nunca acabem a ser sodomizados por outro homem. É que podem vir a gostar…
– Que todos aqueles que não respeitam o meio-ambiente, não acordem com cama cheia de resto de obras, o frigorifico cheio de lixo, e que água da torneira não tenha um sabor entre chumbo e mercúrio fresquinho.

A lista podia ser maior, mas não devemos ser muito exigentes a pedir, pelo menos é o que nos ensinam na escola.

Bom… se fosse possível resolver estes problemas nos próximos anos, se alguém conseguisse resolver estas coisas, acreditem que todos os anos fazia um peregrinação até à sua terra, fosse ela em Fátima ou em Alguidares de Baixo. Mas continuo muito pouco crente, muito pouco ou nada mesmo.
* é mentira. Não ouvi nem vi qualquer programa sobre o tema. Deu-me para escrever sobre o assunto e prontos.