Por vezes sentimos uma necessidade incontrolável de reviver o passado e quem o tenta fazer tem em mente dois motivos, por um lado corrigir ou mudar algo que considera errado ou ter feito mal e por outro lado voltar a experimentar sensações que lhe foram gratas e agradáveis.

 

É óbvio que só os pobres de espírito ou os tontos tentam reviver o passado para emendar desacertos cometidos! Os enganos passados corrigem-se no presente e no futuro e sobre estes dissertaremos num dia lá mais para a frente.

 

Foi com o segundo objectivo que um casal, entendamos por casal um homem e uma mulher, que ainda no início da segunda idade e sem razão que a tal motivasse decidiram ir visitar locais onde haviam passado bons momentos.

 

Tenho que descrever, ainda que de forma sintética e sob pena de me tornar aborrecido aos olhos dos caros leitores, este homem e esta mulher.

 

Do ponto de vista emotivo são ou estão num momento de estabilidade e maturação da relação. Gostam um do outro e da companhia que mutuamente se proporcionam, pelo que, não têm necessidade de relembrar a paixão passada para manter aquela que é a atração presente.

No que concerne a aspectos materiais têm uma situação confortável que tem evoluído positivamente desde o tempo em que acabaram os estudos e podem dar-se a alguns pequenos luxos.

 

Na nossa história, como já foi dito estes dois seres pensaram ser interessante visitar alguns locais por onde tinham passado e que por um ou outro motivo mistificaram.

 

Empreenderam assim uma jornada de visitas aos locais do primeiro encontro, do primeiro sorriso, do primeiro beijo, de todos os primeiros que fazem parte da construção de uma relação. Visitaram também sítios onde desfrutaram da refeição perfeita, onde aquela bebida e não outra os marcou para a vida e de onde saíram para fazer amor pela primeira vez… Visitaram, revisitaram, viveram e reviveram…

 

Caras almas que tenham encetado já tal missão ou que algum dia se sintam tentados a faze-lo deixem-me dizer-vos que todos, ricos, pobres, religiosos ou agnósticos irão tentar algum dia mudar o passado ou pelo menos vão pensar nisso. Deixem-me que continue a relatar a saga destes destemidos viajantes ao passado e saberão qual o risco em que incorrem.

 

Estes entes, que percorreram de forma intensa o passado chegaram à conclusão que o mesmo era em tudo diferente do que imaginavam. Acabaram por destruir os mitos que alimentavam a sua alma e deixaram de perceber como ali haviam chegado, deixaram de saber porque hoje eram como são. Perderam-se, tornaram árido o passado que se apresentava como verdejante nas lembranças que eram partilhadas.

 

A verdade é que tudo evolui e o passado, bom ou mau, e neste caso era são, fica registado, gravado na memória daqueles que o viveram.

 

A verdade é que o passado é algo morto que perdura nas nossas fantasias. É por isso imutável e impossível de reviver.

 

Devemos como tal viver o presente para construir um passado grato e cheio de grandes memórias! Sobre o futuro hoje não escrevo porque este tema é mais complexo…

 

Todos queremos de uma forma ou de outra influenciar o que ai vem, mas assim como reviver o passado se apresenta impossível porque o mesmo é tão e somente o resultado das nossas memórias, controlar algo que ainda não aconteceu como seja o futuro também me parece irrealizável.