Imaginar um ser totalmente perfeito e capaz de satisfazer todos os nossos desejos e anseios é relativamente fácil. Conviver com a ideia de que estamos enamorados desse dito ser pode revestir-se de momentos de felicidade oca ou de tristeza forrada a raiva.

 

Sermos ignorados por alguém por quem cremos estar loucamente apaixonados cria em nós sentimentos de revolta absoluta. Descontrolamo-nos, perdemos o discernimento e transformamo-nos num ser sofredor…

 

Um amor não correspondido é de todo suportável pela alma de quem o vive e pode ser acalentado pelo comportamento do ente amado. É no entanto a mais que justificada falta de atenção por parte do ente querido que verdadeiramente faz amargar um coração apaixonado.

 

Nunca o ser humano poderá encontrar um filtro para a dor que provoca o amor unilateral, nunca um ser humano objecto de amor ao qual não corresponde poderá ser culpabilizado pelo sofrimento que provoca…

 

Resta ao que ama sem ser amado, ao que deseja sem ser desejado, ao que procura sem ser procurado imaginar a perfeição num novo ser e assim deixar cair o mito…

 

Resta a quem deixa cair o mito voltar a começar tudo de novo!