A Berguilhíssima Trindade Lusitana é tão famosa que recentemente durante um almoço, daqueles que o seu fim não se adivinha quando, nem como, e posterior a uma dissertação colérica de como os americanos transferiram a patente do Bacardi, de Cuba para Porto Rico, sou surpreendido pela médica de serviço, num precioso castelhano cubano:

“Vosotros, portugueses son mucho calientes!”

Olhei para a garrafa de Bacardi, questionando o morcego, na tentativa de comprovar se o volume consumido tinha sido o suficiente para chegarmos àquela hora de convívio em que toda a gente filosofa, sem pensar nas consequências de acordar na manhã seguinte com dois bafios matinais, e um arrependimento pelas sentenças proferidas.

Mas não! Aline era conhecedora do currículo da Malta das Quinas, e comprovava que não foram só novos mundos que demos ao Mundo, mas também demos novos mundos ao Mundo que íamos encontrando.

Tudo começou quando, de Lendas de Mouras Encantadas fervilhando a nobre cabeça de Afonso Henriques, eis que este zanga-se com os seus pares, e numa loucura real desata a correr por aí conquistando tudo o que era terra de feminidade mourisca, em busca das damas que em maravilhas ventrais, lhe curassem as feridas do coração.

Cativado por outras cativas, Camões, príncipe dos poetas, revela o fogo do impulso lusitano na célebre “Ilha dos Amores”, prémio de tão afortunada ventura. Barras de ouro, ou títulos nobliárquicos foram honras menores, perante a permissão olímpica de se deleitarem em jogos amorosos com as sedutoras Nereidas.

E o grandioso Afonso de Albuquerque, sabedor da psicologia comportamental Lusitana, após seis meses de bojarda sobre Malaca, segue uma política de miscigenação. Estratégia de defesa exemplar do Estreito de Malaca, garantindo desta forma a prontidão dos bravos defensores do V Império.

Por último, nos idos tempos de 1756, questionava-se Voltaire, no seu Le Désastre de Lisbonne, se o empório alfacinha teria pecados maiores do que Paris ou Londres, para que, no dia de Todos os Santos, do ano anterior, tivesse sofrido a justiça irada da mão de Deus.

Mal sabia Voltaire que o Tuga, senhor da arte de navegar os setes mares, era também Lente na arte de deixar bastardas gerações em tudo que era porto de escala, Além e Aquém Mar!