Entre amigos, jovens por sinal, porque na minha perspectiva os velhos valorizam mais a vida discutia-se a morte. Entre copos de vinho e farra, um deles propôs: Vamos fazer um pacto para a morte (algum dia estimado leitor farei um conto com pactos para a vida); O primeiro que morrer voltará para contar como é a outra “vida”, isto é, a morte. Brindaram, celebraram e efectivaram o pacto.

 

Tenho que fazer aqui uma pequena nota e peço por isso desculpa.

Nenhum dos ditos jovens, apesar da amizade que os unia quis ser o primeiro a cumprir com o acordo. Dedique uns minutos a pensar nisso.

“Só conheço um motivo para que se queira morrer e esse motivo é a solidão”. Dedique mais uns minutos a este pensamento porque só os vivos podem resolver este problema.

Peço-lhe que a partir de hoje não pense mais na morte, como se diz ela é certa e da mesma não à retorno. No limite pense que, se estar morto é melhor que estar vivo, quanto mais tempo viver mais vai aproveitar do bem-estar da morte.

 

Voltando aos nossos heróis. Com o passar dos anos esqueceram-se do pacto.

 

Quando já em idade avançada se voltaram a juntar no mesmo ritual de sempre aperceberam-se que em farras seguintes alguns já não estariam. Será que algum ia voltar para cumprir com o acordado, discutiram animadamente o tema aproveitando o acto de ainda estarem todos.

Hoje só hà memória desse grupo de amigos. Os descendentes lembram-nos com carinho. Nenhum morreu a saber como era a “vida de morto”.

Se nem a amizade ou amor nos faz contar aos vivos como é a morte é porque não há nada para contar… mantenhamos a esperança de que talvez haja algo para viver nem que seja nas memórias dos que ficam.

 

Acredite caro amigo que todos nós conhecemos alguém que antes de morrer pensou: Depois de morto vou voltar para contar como é! Não conhecemos é ninguém que o tenha realmente feito.