Sexta-feira, mais um fim-de-semana à porta. Venha ele que a gerência não se importa (uma rima fácil, mas nem por isso menos vibrante).

Ao fim-de-semana tudo é bom, excepto uma coisa: as revistas que os jornais publicam!

Quem habitualmente compra os jornais ao fim-de-semana sabe que os mesmos são acompanhados de uma revista.

Raramente consigo ler essas revistas!!

Sempre que as abro fico com a sensação que estou a entrar num mundo que não conheço e que é diferente do meu e, por outro, que os jornais deixaram, há muito, de ter critérios médios de selectividade sobre aquilo que publicam. Tudo o que aparece é noticia.

Qualquer revista que se preze tem de trazer um psicólogo ou psiquiatra a falar dos problemas das crianças e do seu relacionamento com este mundo turbulento e sobre os seres perigosos que nele habitam. Hoje em dia até parece que é forçoso todas as crianças padecerem de algum problema, como se todas crianças tivessem de ser perfeitas e isentas de qualquer “bug”.

Artigos sobre obesidade engordam várias páginas das revistas, para não falar das pequenas noticias sobre a mesma matéria. O último titulo que li hoje, sobre esse tema, cabe perfeitamente numa revista de fim-de-semana. “Pessoas obesas tendem a influenciar negativamente o comportamento dos seus amigos…” não tive coragem de ler o resto do artigo! Qual o próximo artigo?! “Beber leite faz mal, quando acompanhado de morcela?” ou “Pão comprado em cidades tem mais monóxido de carbono que o pão das aldeias”?. Vá… surpreendam-me!!

Sugestões sobre exercício físico também não faltam. Rara é a semana em que não se sugere  andar 2 horas por dia (que eu acho sempre cómica) ou que uma lista infinita de exercícios que devemos fazer em casa. Que tal encher a sala de halteres, espaldar e um tapete próprio para exercícios? Ofereça toda a mobília a umas instituição de caridade. Talvez aceitem.

Colunas e noticias sobre os famosos também nunca faltam, nem podiam faltar. Seja sobre os famosos que o são não por qualquer motivo útil, seja sobre famosos que nunca ninguém ouviu falar. Quem não fica com inveja daquela gente toda, sempre sorridente, sempre em festas, triper bem vestida e que não precisa de trabalhar? Já agora… ninguém diz o que andam a tomar?

A moda também tem presença obrigatória. Nestas páginas, o meu lado mais humano e sensível obriga-me a ficar sempre com pena das meninas que passam o seu esqueleto pela passarelle. Não há ninguém que lhes dê qualquer coisa para comer? Um arrozinho de frango? pataniscas de bacalhau? Uma sopinha de feijão?Oh pá!! Alguém ajude as meninas. Eu até as ajudava, mas não sei cozinhar, para além dos pratos mais clássicos (um bitoque, por exemplo). Vá…comprem-lhes qualquer coisa e metem na minha conta (só pago comida!).

E os artigos que nos querem fazer crer que o que está a dar é ser gay ou que é uma coisa perfeitamente normal? Qualquer um é livre de comer o que mais gosta, como diz o povo, mas, por favor, o excesso de marketing a favor de uma determinada causa chega a um ponto que começa a enjoar. Já começo a pensar que ser normal está fora de moda.

Ainda temos os carros, os restaurantes, a entrevista de fundo, as viagens e alguns salpicos de cultura, para não falar na decoração de qualquer lar.

Pois é, o fim-de-semana é sempre um prazer (nunca houve uma greve ao fim-de-semana), mas não me obriguem a ler uma revista de um jornal. Não me queiram ver fora de mim.