Não estamos sozinhos no mundo e ainda bem que assim é…

 

Uma mulher de meia-idade, parte da classe média de um qualquer país e que nada acrescentava a essa mancha de gente que parece toda igual apeou-se do autocarro, olhou em volta sem realmente ver nada e começou a andar.

 

É certo afirmar que ela olhou sem ver, mas não é menos verdade que todos que a rodeavam faziam exactamente o mesmo.

 

Começou a caminhar e subitamente começou a soluçar e a chorar copiosamente. A sua aflição era tremenda e o seu desgosto imenso só que não sabia porquê! Simplesmente chorava. Chorava cada vez mais e nem homens, mulheres ou crianças lhe davam atenção.

 

Caminhava só e sem destino. Era uma alma desassossegada ao ter percebido o medo que lhe resultava da indiferença que gerava à sua volta…

 

Tanto caminhou que se afastou dos locais que conhecia mas nem esse facto fez parar o seu pranto. Estava sozinha no mundo e por mais que pensasse o contrário via que essa era a sua realidade e carpia ainda mais.

 

Ao fim de horas a vaguear e já sem suportar o cansaço sentou-se no logradouro de um prédio… destes logradouros existem nas cidades e são habitadas por sem abrigo.

 

Ali ficou até que por ela passou um pobre homem que de imediato reparou que o mundo dela não era nem o dos pobres nem o dos ricos. Esse homem perguntou educadamente: Sra., em que a posso ajudar? Necessita de algo?

 

A mulher assustou-se, nunca tinha dialogado com um destes pobres muito pobres, tão pobres que até a miséria foge deles… tresandava por falta de cuidados de higiene, seguramente sofria de maleitas impensáveis e tinha um aspecto assustador. Seguramente estava também ele só no mundo. No entanto levantou-se, olhou para o homem e sorrindo disse: Obrigada! Só queria que alguém me visse… assim, já sei que não estou só no mundo.

 

Verdade é caro leitor que poderia ter sido o mais rico dos ricos a sair do mais luxuoso dos carros a dirigir a palavra à mulher. Poderia ter sido qualquer pessoa! Em qualquer local a qualquer hora… No fundo isso não é o relevante da história, não exacerbemos a pobreza ou a riqueza, tratam-se simplesmente de pessoas.

O relevante é mostrarmos aos demais que por cá andam que nos preocupamos com eles e que os vemos todos os dias.

 

Afinal, não estamos sozinhos no mundo e ainda bem que assim é…

Nota de autor: ontem enquanto deambulava no mundo vi uma mulher saindo de um autocarro a chorar. Passei por ela com indiferença! Ela também não me viu. Espero que, seja ela quem for, hoje se encontre bem.