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Nuno Lobo Antunes, quinto filho de um médico notável, irmão daqueles que muitos consideram o maior escritor português vivo e de outro que dizem ser o melhor neurocirurgião do país, publicou recentemente um livro intitulado Sinto Muito. A semana passada foi entrevistado pela Sábado e, aparte algumas afirmações que revelam um certo pedantismo, tive por diversas vezes vontade de sacar do lápis e sublinhar algumas das suas frases. Estes são só alguns exemplos:

Morte
“A morte é um adeus, e um adeus implica que se fique com a saudade, a memória de quem partiu. Só se pode encarar a morte como um desaparecimento parcial porque se salva o amor, os afectos. Há algo verdadeiro quando as pessoas dizem que só morremos quando morrerem todos aqueles que nos conheceram.”

Dor
“A dor tem de ser digerida, não a podemos guardar sem a transformar. Mas transformá-la em quê?”

Amor
“Para mim, a única coisa que não tem limite é o amor. Dignifica-nos, torna-nos bons. É a nossa medalha. Somos nós para além de nós”

Foi-me bastante difícil escolher só um para cada tema, mas regras são regras, e optei pelos primeiros em que pensei.

Ora aqui estão eles:

1 livro: As intermitências da morte


1 Cd: Fado Ladino, dos Rosa Negra


1 país para passear: República Checa


1 copo de vinho: Não pode ser um copo de rum?


1 filme: Le fabuleux destin d’ Amélie Poulain


1 carro: O que me leva onde quero ir


1 praia: Comporta


1 actriz: Meg Ryan


1 actor: John Cusack


1 mulher: A minha avó


1 cromo português: O emplastro


1 cromo internacional: George W. Bush


1 destino distante: Índia

Normalmente, não me questiono sobre quem somos, para onde vamos, o que aqui estamos a fazer…mas depois do dia de hoje, em que, mais uma vez, me deparei com a triste constatação de que existem mulheres mesquinhas, más, venenosas, incompetentes e que passam os seus dias a falar e a inventar sobre a vida alheia, sou obrigada a colocar outra questão: Mas que raio é que certas pessoas andam aqui a fazer? Se me souberem responder, agradeço.

yin

Quando se fala em dicotomia ou dualidade, a primeira imagem que me surge é o símbolo do Yin Yang, um conceito da filosofia chinesa, que defende que as duas forças, aparentemente antagónicas, se complementam.

O Yin é o princípio passivo, feminino, nocturno, escuro, frio; o Yang é o princípio activo, masculino, diurno, luminoso, quente.

Apesar de achar que os chineses não estavam a ver bem quando associaram o feminino ao frio e escuro e o masculino ao quente e luminoso (tenho que lhes dar um desconto aqui. Este princípio filosófico já tem uns bons séculos e, na altura, as mulheres ainda estavam longe de andar a queimar soutiens e de se afirmarem como verdadeiras forças da natureza – algumas, claro está), considero-o bastante interessante e só revela que a China foi, desde sempre, uma civilização bastante avançada.

O escuro, o frio e o preto existem em oposição ao claro, ao quente e ao branco. Um não existe sem o outro e só faz sentido porque o outro existe. E com as relações humanas, será que também é assim? Será que a teoria de que os opostos se atraem faz sentido? Já acreditei mais nisso, mas cada vez mais defendo que, para uma relação funcionar verdadeiramente, terão de existir pontos em comum. E os chineses também sabiam. E é por isso que, no símbolo do Yin Yang, o branco tem um ponto preto e o preto um ponto branco. Por muito diferentes que sejamos, tem de haver sempre algo que nos aproxime, com que nos identifiquemos e que nos faça sentir que vale mesmo a pena.

  1. Uma barbie. Se me tivessem oferecido uma barbie quando era miúda, não tinha caído tantas vezes a jogar à bola, não tinha partido a cabeça e o pé, não teria andado à porrada com tantos meninos e hoje talvez tivesse paciência para as conversas que as minhas colegas de trabalho têm sobre o cabeleireiro, a roupa e a vida dos outros.
  2. O táxi. Aquele chocolate maravilhoso com plástico azul e letras amarelas a dizer “TAXI”. Se hoje ainda existisse, eu tinha desculpa para andar na rua a pedir dinheiro para o comprar, como fazia quando era miúda. Assim, talvez conseguisse dinheiro para o chocolate e para comprar uma cama.
  3. Paciência. Faltam-me quilos dela. Não tenho paciência para tanta coisa que, se as fosse enumerar, faria o maior post da história dos blogs.
  4. Saber escolher. Tenho tanto medo do que posso perder quando escolho, que tenho tendência a fugir da escolha o máximo possível. E isto aplica-se a escolher tanto entre fazer peixe ou carne para o jantar, como entre algo que pode alterar toda a minha vida.
  5. Tempo. Tempo para brincar, para comer chocolates, para me tornar mais paciente e para pensar nas minhas escolhas.

Ele: Queres participar num blog, que é meu e de mais três amigos?

Eu: hmmm…não sei não. Quem são os amigos?

Ele: Isso não é importante. Queres ou não? Achamos que o blog precisa de um toque feminino.

Eu: Então e achas que eu dou um toque feminino ao blog? Achas que vou para lá falar de crochet, da vida dos “famosos” e das telenovelas?

Ele: Não. Podes falar de tudo o que quiseres.

Ora, dão-me a possibilidade de falar de tudo o que eu quiser e o que me acontece? Ando aqui há dias sem saber do que hei-de escrever. E, por isso, resolvo falar de nada. Só para contrariar.

Nada

do Lat. nata de nulla res nata

s. m.,

a não existência;

ausência de quantidade;

coisa nenhuma;

inanidade;

ninharia, bagatela, inutilidade;

pron. indef.,

nenhuma coisa: Nada foi feito para salvar as espécies em extinção.;

adv.,

não, de modo nenhum.

Espero que o meu toque feminino tenha sido útil. Bom fim de semana

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