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Nos idos e saudosos anos 90, tudo começava no “era uma vez” do saltitar das hormonas que levava a combinações de encontros nas bancadas dos campos das C+S, ou nos bancos do jardim municipal antes da partida da carreira.
Ali entre enzimas salivares descobriam-se mamilos e soltavam-se murmúrios imitados de uma qualquer novela em voga, transmitida pelo único canal estatal. Bonitas, feias, magras, obesas, ricas, pobres, urbanas, campestres, Anas, Carlas, Marias… Todas datadas e contabilizadas de Amor a Zanga.
E toda a minha gente ficava com a alma em festa! Mesmo o amigo feio do amigo bonito, que por honra e fidelidade, sacrificava-se à troca de mimos e carinhos com a amiga obesa da amiga popular.
Mas, após o encanto da juventude, eis que o aumento da esperança média de vida, associado ao medo da solidão e proporcinalmente directo ao número de sendas empreendidas, ao qual ainda adicionamos a fraca capacidade gestora de uma vida a dois conduziu a um mundo de silêncios.
Próximos de finalizar a primeira década, do esperançoso Século XXI, não conheço nenhum casal que não tenha medo dos silêncios. Dita a verdade que também não conheço muitos casais que se amem verdadeiramente!
O estar à mesa sem que seja proferida uma palavra, implica uma dúzia de inquirições no silêncio de si, e o amar é totalmente decifrado na primeira noite de devaneio sexual: Mais peito, menos peito… Mais pénis, menos pénis… Mais grito, menos grito… Mais cornudo, menos meretriz… e o código sexual oral, anal e vaginal logo se metamorfoseia num mais vale temporariamente mal acompanhado, do que enternamente só.
No entanto, como Deus é grande e piedoso concedeu aos humanos múltiplas criações para evitar outra dúzia de constrangimentos: O emprego, a televisão, os encontros com amigos, e os almoços domingueiros em casa de familiares.
O silêncio da madrugada era interrompido pelo esforço do roar do motor. Curva e contracurva, o Fiat 127, galgava a Serra de São Mamede rumo ao Miradouro, naquela quinta-feira de Dezembro, depois de num beijo nos termos conhecido ao som de Héroes del Silencio, no Pacífico.
No habitáculo, o silêncio era cúmplice da nossa vontade. Ambos queríamos o mesmo, e ambos sabíamos os passos do ritual: primeiro a corte, depois o teu papel de difícil, e por último a união dos corpos.
Parado o 127, aos nossos pés Portalegre cuidava-se semi adormecida: Os operários labutando na Robinson, os académicos que regressavam ao leito para marear na sua alcoolémia, a população que restaurava forças para o dia seguinte, e os mortos de Régio saudosos dos olhos do poeta velando-os, e procurando neles a fonte da sua inspiração.
Não me recordo do sabor do primeiro beijo, nem dos beijos que vieram a seguir… Embora não seja difícil de calcular que nessas noites o sabor de cada beijo varie numa aritmética de vícios, gastronomia e higiéne oral.
Num ápice, tomámos os bancos de trás do 127, e num suspiro de um Mi bemol estes eram sangrados pelo romper do hímen virginal.
Depressa, a condensação arfada, embaciou os vidros, permitindo que neles ficassem gravadas as tuas mãos e os meus pés. Balançando na ondulação corporal, a suspensão do veículo testemunhava a atómica fusão de tornar dois corpos num só ser, fruto da anatomia dos sentimentos do espírito e da carne.
Copulávamos como se perante nós se adivinhasse o término do mundo, e a ocupação das campas, sem que alguma vez tivéssemos sentido o aroma dos nossas íntimas partes, matado a sede na fonte dos beijos, ardido no calor do útero, fundido na imensidão dos olhares, navegado nas ondulações do peito, e descansado no leito do colo.
Mas o mundo não acabou, e enrolados no descanso da exaustão libidinosa, a nossos pés, Portalegre continuava a cuidar-se semi adormecida: Os operários labutando na Robinson, os académicos que regressavam ao leito para marear na sua alcoolémia, e a população que restaurava forças para o dia seguinte…
O meu último Natal foi em 97. A partir dessa data o sentimento pela celebração do nascimento do Salvador, passou a ter tanta importância como as manhãs de Segunda Feira. Tirando os natais em casa da Fatinha, todos os outros foram o arrasto para o seio da ceia familiar da garina de cada altura, pois a não aceitação do convite poderia pôr em causa o amor sentido e implicar uma extensa lista de justificações.
Assim, tornava-me no intruso tolerável arrastado para um começal de estranhos, os quais confiavam temporariamente que seria eu o Messias encarregue de levar a garota ao altar e desfadá-la do cárcere papel de tia. Ao longo da noite, arrastava-me numa atitude marginal, e eram tantas as vezes que no interior de mim ecoava a letra de “Creep”, dos Radiohead com especial ênfase para a sentença repetida até à exaustão: ”… what a hell I’m doing here?!”. Mas… O futuro era demasiado temporário para pertencer a um qualquer clã, e os acepipes não valiam a cumplicidade dos choros de avós viúvos que temiam ser o último dos natais, nem a audição das infidelidades pormenorizadamente descritivas e repetitivas nas cubatas da Guerra Colonial, reveladas por um qualquer tio na embriaguez do tinto e do Porto. Também já não conseguia simular espanto… para esconder o horror… ao receber camisas folhadas à Roberto Leal, calças regateadas na Feira de Cascais, casacos de cotoveleiras e boxers… – Eu odeio boxers!… Nada como o belo do truce para evitar que a Santíssima Trindade ande solta e desgovernada a viajar pela bifurcação das calças. Gosto de senti-la mais aconchegada e protegida no relicário de algodão.
Por isso, a determinado momento da minha vida, optei por recusar esses encontros ciente das consequências que dessa decisão poderiam advir.
Meia noite… tempo de desejar as últimas felicitações natalícias ao último cliente, fechar as aplicações informáticas, repousar os headsets na consola e deixar para trás a Quinta do Lambert para rumar à minha cápsula, satisfeito por naquele ano não ter que cumprir o ritual descrito nas penadas atrás. Ao chegar a casa constato que as paredes do meu espaço não conseguiam isolar os encontros calorosos dos restantes andares. Um duche e optei por mergulhar na noite, peregrinando pelas capelas do Bairro Alto.
Divagar pelas ruas de Lisboa após as doze badaladas de Natal, é encontrar uma chusma de almas desesperadamente sós, ávidas e esperançosas por quebrar o seu estado solitário, nem que seja nos braços do amor pago no eterno rame-rame do Técnico.
Cada bar, tinha as suas sombras ímpares… As faces famintas de quem naquela noite tacitamente procurava o encontro de um olhar para que os seus monólogos, tão silenciosos como o nada, se metarmofoseassem no fôlego de um diálogo.
Depois de manjar uma tosta mista, a ideal ceia de natal no Clandestino, rumei de copo na manápula pelas travessas parcamente iluminadas do Bairro Alto. A dado momento, da penumbra de uma portada, um rosto feminino conhecido da labuta quebrou-me o destino até ao Jamaica. Não tinha intimidade suficiente que me fizesse parar, mas os meus olhos cruzaram-se com o Rimmel fendido pelas lágrimas, que se confundiam com a chuva miudinha que naquela altura caía. Ofereci-lhe o meu malte, sentei-me a seu lado e por minutos ficámos de olhos pendidos na calçada, na lentidão nicotinada de um SG, sem a expressão de qualquer sílaba ou palavra. O último trago foi o génesis da confissão do vazio da sua ferida: “Os progenitores que já tinham ido além da vida… O fim de um príncipe que se revelou um batráquio nas curvas da sua feminidade… O receio do Só”… Um tombar cabisbaixo, e ali naquele penetral, junto ao Largo da Misericórdia, ficámos abraçados para depois nos lançarmos num sôfrego encontro de lábios. Por momentos, alienámo-nos do tempo, e das gentes que por nós passavam na sua busca desesperada de outras gentes. Embora a nossa realidade estivesse cálida, a noite continuava tão gélida como a solidão de quem, naquela noite, estava condenado só ao abismo da procura.
O Natal foi tomando altas horas, e as sinergias corporais pediam agora o encontro de um taxista que nos levasse sem demoras ao calor de um abrigo. Num sotaque provinciano, as confissões e conclusões de um taxista sobre o seu movimento contínuo de altas e baixas estimas, que estava a contribuir para a sua festa de passagem de ano lá na terra tão saloiamente saudosa, fizeram-nos gargalhar até casa.
Aos poucos o Natal ia fechando o seu ciclo nocturno. A nudez suada foi enfraquecendo os corpos até que só da noite restaram os renderes dos murmúrios, e os latires vadios dos bóbis da zona, à passagem daqueles que do Natal só conseguiram a companhia de fantasmas, shots e duplos.
Os sons vespertinos levaram-me a acordar num docel apenas aquecido pelo calor do meu ser. Ainda estremunhado pelo sono, foi em piloto automático que me dirigi à sentina para libertar a matinal “tesão do mijo”. Num medley de colcheias vagueei pela alegre analepse de natais anteriores a 97, para depois encalhar na absoluta necessidade de nicotina e cafeína nas veias.
Acabada a sinfonia, é no lavar das mãos que vocábulos escritos a baton escarlate no espelho, revelam a noite sem compromisso e me fazem esboçar um sorriso de concordância: “Foi Natal! Beijo”
Senhor na arte de atear o fogo, o Mafarrico, dava um jeito na lenha, tornando vivas as chamas que iluminavam os rostos do trio que em torno da fogueira se aglomerava.
De tenaz em mão, Deus agarra num tótiço, e gentilmente acende os cigarros dos restantes companheiros.
- O vosso silêncio sempre me perturbou. Quantas vezes, entre preces e promessas, vos implorei a celebração de tratados, ou contratos?! Ser rico, ter sucesso, ser um homem bom, morrer nos braços de uma namorada da ocasião, ou perder-me na luxúria de uma mulher glamorosa!… Silêncio, ausência total de vocábulos terrenos, e celestiais. Nem um sinal!
Perante as minhas palavras, Deus solta uma gargalhada e proclama em cavernosa voz: Estranhos são os caminhos das divindades, pois manifestam-se em fenómenos… Desde que não estejais tão cegos com a vossa condição mortal.
- E uma palavrinha menos cliché poderia ajudar. – Interpelei.
- O teu problema – interrompe o Diabo – traduz-se no Complexo de Quixote. Na tua juventude ocupaste a tua mente com líricas, romances e artes cinéfilas, e num toque de Midas tornaste-as reais. Enquanto decifravas a linguística da indumentária fogosa de uma Madame Bovary, muitos manchavam-lhe o vestido, sugando-lhe os peitos e matando a sua fome primitiva no suor das suas coxas. Fausto é um romance, a Bíblia é um livro de leis…
- … Pois, e o conto de Saint-Exupéry é uma moral, a Alegoria das Cavernas é a luz na escuridão, o arbusto em chamas é um toque de magia, a aparição Nossa Senhora de Fátima é uma alucinação colectiva e o desaparecimento da minha família em tenra idade foi um pesadelo do qual ainda não acordei.
- Martini, todos os contratos, implicam uma clausula maior para a qual ninguém está preparado – Replica o Mafarrico, burguês das altas finanças da alma. O caminho do sucesso, é um caminho solitário. A existência de pobres serve a causa de haver ricos, entre outros antípodas e antónimos, dos quais podemos passar a noite divagando em apologias. É o equilíbrio do Universo: Bem / Mal, doce / amargo, belo / feio, Deus / Diabo… and so on!
E os meus olhos perderam-se nas chamas da fogueira. Não valia o esforço encefálico de discursar com os elementos de equilíbrio do Universo.
Varões e Varonas da pena, dita a regra que o vosso estimado Martini definiria os temas para Dezembro.
Ora, dado que de Nordeste sompram ventos gélidos, agarrem num xaile, numa mantinha, façam uma boa braseira, metam-na debaixo da camila, e dêem ao dedo. Não se esqueçam de acompanhar as redações com cafeína e nicotina, pois não se pretende traços caligráficos de estagnada encefalia.
Num rufar de tambor, os temas de guilhotina são:
3 / XII / 2008 - Diálogos mudos de um Lusitano, à lareira com Deus e o Diabo!
10 / XII / 2008 – Ao Soldado Esquecido sob o fantasma do Colonialismo.
17 / XII / 2008 – No banco de trás de um 127 mergulhei no teu corpo!
24 / XII / 2008 – Foi Natal!
31 / XII / 2008 – Educai o meu umbigo, pois amanhã nada mudará!
1 livro: O ensaio sobre a cegueira
1 Cd: Escritor de Canções – Sérgio Godinho
1 país para passear: O rectângulo lusitano.
1 copo de vinho: Desde que esteja cheio e alimente a minha divagação… até Camilo Alves marcha!
1 filme: Matrix (Aqueles universos paralelos fazem muito sentido)
1 carro: Económico, e que não seja necessário recorrer ao crédito para o pagar.
1 praia: Não sou fã de praias, mas sugiro o Tamariz à noite!
1 actriz: Todas as mulheres que simulam orgasmos múltiplos. E as femininistas (Ui! Estas então… São porcelana chinesa.)
1 actor: Vasco Santana
1 mulher: A minha avó, pelo qual estimarei sempre a sua alma! Respect!
1 cromo português: Deixei de coleccionar cadernetas há muitos anos
1 cromo internacional: Nem dinheiro tinha para os nacionais, quanto mais para os internacionais
1 destino distante: Timor Leste. Para sempre onde eu estiver!
Há uns bons anos atrás o Paulo de Carvalho tentou responder a esta pergunta num depois do adeus, sendo até senha de golpe de Estado. Golpe de Estado que permitiria criar um mundo de distribuição de riqueza aos mais necessitados, de voz aos mais submetidos, e de lazer a quem nada quisesse fazer. Mas, esse admirável mundo novo, tornou-se numa cíclica contra revolução.
O que é que ando aqui a fazer? Nunca a resposta foi tão directa como nos tempos que correm.Tal como vós, apenas a ser mais uma marioneta, ficcionada por Palermas de Alpaca, que em tempos deram a entender que em cada nascer havia um ser com alma e voz.
Quem ainda resiste à morte, e teima deambular pelas ruínas da civilização, caminha em carneirada. Escusam de afirmar que são desalinhados, ou que não se identificam com isto e aquilo. Sois ovelhas! Brancas ou negras. Sois ovelhas! Apenas servem para trabalhar feudalmente, de sol a sol, com baixos salários, pensando que os comentários de alguma lucidez poderão ter repercurssões atómicas capazes de alterar a asna e casmurra mentalidade lusitana.
Palermas! Vozes que não estratificam o ecossistema familiar quanto mais o universo humano.
Nasçam, cresçam, sejam sexualmente activos, procriem para dar mais braços aos feudais lordes de São Bento e da Rua da Parede, e depois de um traque bem estruturado, morram… Mas com as dívidas saldadas! Ponto final parágrafo.
Nascer – Nascer num mês que de oito passou a dez, por honra dos imperadores romanos, condenou-me a uma vida polvilhada de revoluções contra a ignorância dos povos, e conduziu-me a um extremismo natural, sem balanço médio, tão próprio dos que nascem sob o signo de escorpião.
Crescer – O sufoco de crescer numa cidade como Ponte de Sôr lançou-me na senda da pele perfeita, evitando que permanecesse na simplicidade de quem trabalha a terra, vendo o sentido da vida nas chuvas de Outono e no calor das braseiras de Inverno.
Ambicionar – A ambição da carreira, e de melhores condições salariais criaram um monstro capaz de destruir promessas de união e construção de um seio familiar. Tornei-me num infanticida matando milhões de esperanças de vida num receptáculo de um preservativo, nas folhas de um qualquer papel higiénico ou no corpo da Mãe Natureza.
Ler - A inscrição na Biblioteca Itinerante da Gulbekian abriu-me um mundo de vocábulos agregados em tomos, fazendo-me perder horas tardias de complexa actividade cerebral. Talvez tão complexa como a minha actual desilusão, tão própria de quem nasce sob o signo de Escorpião, e se prende na imensidão dos desaires dos trintas.
Sentir – Os sons e os cheiros do mundo atiram-me para o transe dos antónimos do milagre da vida, eclipsando-me a focagem do mundo real, destruindo-me em círculos de nicotina e gotas de cafeína.
Ver uma cena onde os actores acordam e deliciam-se em sugosos beijos, como se a higiene bocal tivesse sido feita ao longo da noite, levando a acreditar-nos que é possível acordar com um matinal hálito eucalíptico pronto e pontual para o romance;
Pensar que se viver até aos 70 já vivi 50% da minha vida, e por tal envelhecer a escrever com data marcada num blog, mas sempre sob a mote de nunca cumprir horários para não atrapalhar a minha criatividade;
Ser bombardeado com afirmações femininas sobre o meu estado civil, e pelo facto de não ter contribuído com novos seres para serem explorados pelas forças feudais do mundo moderno;
Chegar a casa e verificar que fui ao supermercado onde comprei tudo, menos o que realmente precisava;
Ir de urgência à casa de banho de um estabelecimento comercial, traçar variáveis geométricas para evitar o contágio de uma possível dermatose de longo prazo, e no fim do alívio dedicar-me ao Origami com a única folha de papel higiénico, dando graças por não ter sido diarreia.
Convencer-me que numa reunião gastronómica, maioritariamente sindicalista, não é sábio dizer que as manifestações programadas empunhando cartazes de sufoco e mal estar pelo estado da nação, descendo a Avenida da Liberdade, são obsoletas e fazem lembrar as marchas populares, pelo que as novas manifestações deveriam passar pelo fecho das principais entradas rodo e ferroviárias por tempo indeterminado e aguentar a possível carga policial, afim de se ver quão democrático é o estado.
Convencer-me que numa reunião, maioritariamente contra-lusa, não é sábio proferir que não me sinto responsável pela chacina provocada pelo V Império de Além e Aquém Mar, e que os mártires da nação vivem no escuro de uma pátria que continua a viver sob o fantasma do colonialismo.
Convencer-me que numa reunião, maioritariamente católica, não é sábio dizer que o Milagre de Fátima foi a soberba mentira do século XX, inicialmente usada em benefício dos interesses da Primeira República e do Estado Novo, e posteriormente permitiu o uso das Lajes ao abrigo de uma Aliança do Atlântico Norte contra o avanço do espectro comunista e do seu Pacto de Varsóvia.
Convencer-me que numa reunião gastronómica, maioritariamente feminina, não é sábio proferir que mulheres de saia sentadas de perna aberta, e mulheres que ao baixarem-se dão a conhecer o início da sua curvatura cocixiana protegida por uma lingerie que não seja preta ou branca não são sinais de provocação sexual, mas sim de desleixo e fraco gosto pela essência de ser M de Mulher.
Convencer-me que numa reunião, maioritariamente solitária, não é sábio dizer que conseguirei adivinhar os números do Euromilhões, que me permitirão deixar de ser uma marioneta humana, e de ter uma vida tão estúpida trabalhando de sol a sol, seis dias por semana para ficar sem 25% do vencimento do final do mês para o Estado, já para não falar das outras contribuições para Instituições bancárias e alimentares.

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