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Hoje enquanto me encontrava numa sala de espera, presenciei uma cena estranha … estava uma senhora já de certa idade sentada a ler um jornal quando aparece o suposto marido com um penso na cabeça … Ela disse-lhe:”Demoraste tanto tempo!” E ele respondeu “Levei com a cancela do estacionamento em cima da cabeça” E lá continuaram muito indignados “Como é que pode acontecer uma coisa dessas, se tivessem partido os óculos tinham que pagar, etc.” E eu a pensar mas se levou com a cancela é porque estava a passar no sitio dos carros, mas não queria acreditar muito. E ele lá continuava levei com a cancela e caí para o chão, e a esposa continuava com pena do marido mas ia continuando a ler o jornal. Eles olhavam para mim para ver se eu me metia na conversa, mas eu nem queria acreditar no que estava a ouvir, mas será que aquilo fazia sentido naquelas cabeças? E depois lá ele disse o carro passou e depois a cancela caiu quando eu ia a passar, mas continuava indignado …

Como diz o MEC à 3ª idade tudo é perdoado …

Uma juíza do Tribunal de Torres Vedras deu provimento a uma queixa apresentada por um cidadão sobre um boneco do Carnaval de Torres de Torres, que aparentemente apresentava umas mulheres nuas ou semi-nuas (que nojo!!!), numa homenagem ao Magalhães.

Eu não acredito em bruxas e também já não acredito no Pai Natal (este ano descobri que o velhote fez uma plástica e trabalha no Intermarché da minha aldeia e jurou-me a pés juntos que só faz isso por causa da crise e para alimentar as renas).

Bom, passo a explanar o que me vai na mona: Para mim é impossível que em 2008, 35 anos depois do 25 de Abril, uma juíza de um tribunal português possa ter um acto de censura sobre um boneco que apresenta umas moças semi-nuas. Cá para mim, ela só fez isso para promover o Carnaval e, pelo que se vê e sente, a malta caiu no engodo de uma maneira escandalosa. Não se fala noutras coisa. E a promoção que o Presidente da Câmara conseguiu em ano de autárquicas?! Se tudo isto não é marketing é o quê? Eu é que não sou parvo!

É que a mim ninguém consegue convencer que uma juíza de um tribunal perca tempo com um assunto da treta e que se tenha dado ao trabalho de ridicularizar a instituição onde trabalha, que já tem a imagem que tem junto da opinião pública.

Também não me conseguem convencer que uma juíza sentada no seu cadeirão se tenha limitado a dar como boa a queixa de um cidadão sem averiguar se a mesma fazia qualquer sentido ou não.

Também não quero acreditar que as imagens em causa possam ter alguma foto da juíza e que, por isso, tenha ficado aterrorizada com o facto de poder ser vista por milhares de pessoas. Sem dúvida que a intimidade de cada um deve ser respeitada, mas não seria possível ter pedido para esconderem apenas a sua foto ou substitui-la por uma foto de uma colega?

O resultado está à vista: Mais gente irá a Torres Vedras, o Tribunal será motivo de gozo e nós portugueses ficamos muito mais confiantes na justiça portuguesa.

Para mal das nossas vidas, na Justiça portuguesa o Carnaval é uma festa que tem 365 dias. Ninguém os consegue ganhar!!

Nuno Lobo Antunes, quinto filho de um médico notável, irmão daqueles que muitos consideram o maior escritor português vivo e de outro que dizem ser o melhor neurocirurgião do país, publicou recentemente um livro intitulado Sinto Muito. A semana passada foi entrevistado pela Sábado e, aparte algumas afirmações que revelam um certo pedantismo, tive por diversas vezes vontade de sacar do lápis e sublinhar algumas das suas frases. Estes são só alguns exemplos:

Morte
“A morte é um adeus, e um adeus implica que se fique com a saudade, a memória de quem partiu. Só se pode encarar a morte como um desaparecimento parcial porque se salva o amor, os afectos. Há algo verdadeiro quando as pessoas dizem que só morremos quando morrerem todos aqueles que nos conheceram.”

Dor
“A dor tem de ser digerida, não a podemos guardar sem a transformar. Mas transformá-la em quê?”

Amor
“Para mim, a única coisa que não tem limite é o amor. Dignifica-nos, torna-nos bons. É a nossa medalha. Somos nós para além de nós”

O título deste post é o título de uma notícia que cita um ex-ministro da Educação.

Segundo o dito e erudito senhor, há muitas questões que ainda não estão resolvidas no universo da educação e que, por isso, há que conversar mais sobre esses assuntos.

Conversar mais?!

Não conheço mais nenhuma actividade profissional onde se converse tanto, onde hajam tantas reuniões, colóquios, congressos, artigos de opinião, noticias em toda a comunicação social, já para não falar no número de sindicados, plenários e um universo jurídico de leis, decretos-leis, portarias, regulamentos, etc, etc, etc, etc.

Com um novelo tão cheio de nós é natural que ninguém se atenda.

O que dá vontade de perguntar é : Será que já experimentaram conversar menos?

Vou ser sincera tirei esta ideia de um livro do Miguel Esteves Cardoso, mas que eu acho que se aplica mesmo bem a muitas coisas na vida e também a este blog.

No inicio é tudo novidade toda a gente está cheia de vontade, é fácil começar algo, ter uma ideia, arranjar uma namorada/o nova/o, fazer novos amigos, ter um novo emprego etc … mas e depois? Quando já não é novidade?

É neste ponto que fica complicado, quando já não é novidade quando a realidade já é conhecida, é preciso dar continuidade embora já não seja tão emocionante como no inicio.

O verdadeiro sucesso encontra quem consegue manter, atenção não é estagnar é continuar a alimentar é manter-se empenhado, é não desistir ao primeiro falhanço. Como ele diz é fácil ter um filho, o complicado é educá-lo.

Aconteceu precisamente isto no blog do Ministério da Palavra … ou será que estou a entender mal?

Quando eu era um jovem ser humano, era hábito criar com um amigo um jornal nas férias de Verão, que tentava vender às pessoas mais próximas e que ao fim de 2 ou 3 edições fechava porque as vendas eram sempre baixas (nem os nossos pais compravam) e porque havia sempre um jogo de futebol à nossa espera.

Pode parecer estranho, mas nunca pensei ser jornalista. O gozo estava no fazer e não no relatar ou contar histórias.

Esta lembradura veio à minha memória a propósito dos tempos em que vivemos: falta de liberdade informativa, na notória manipulação informativa e de a comunicação social perder demasiado tempo com o acessório. Não se nota qualquer paixão pela verdade, pelo desejo de informar e de procurar a verdade, não se põem em causa os poderes instalados e as corporações, um cancro que há muito mina o nosso país.

Tal como no meu tempo de jornalista-de-verão, os jornais limitam-se a replicar noticias que vão saindo nos principais canais de informação, vão atrás do óbvio e naturalmente têm dificuldades em captar leitores.

Se eu fosse director de um jornal ou jornalista, nos tempos que correm, não perdia tempo com a eutanásia e o casamento de pessoas do mesmo sexo, apesar do partido do governo querer debater profundamente estes temas no próximo congresso.

O que fazia era perguntar, aos principais ideólogos do partido, porque razão o partido vai centrar o debate nesses temas (que são marginais aos grandes problemas do país), em vez falar na reforma da administração pública (um rotundo falhanço nos últimos 4 anos), no combate às grandes corporações que vivem à conta do estado (que pouco ou nada foi feito para diminuir esse problema), no combate à corrupção e… já dava para os 3 dias de congresso.

Se eu fosse jornalista pegava nos dados estatísticos da saúde na Europa e perguntava aos médicos e gestores portugueses porque razão não conseguimos obter à mesma qualidade de serviço e mostrava todas as semanas com letras bem gordas quais os piores classificados. Não será estranho que médicos espanhóis (que de vez em quando passam por cá) conseguem fazer numa semana o que os médicos portugueses não fazem em meses?

Se eu fosse jornalista pegava nos dados estatísticos da venda / arrendamento de casas na Europa e perguntava aos políticos portugueses porque razão num país pobre como o nosso somos forçados a comprar casa quando nos países ricos as pessoas conseguem alugar facilmente? Porque será que a lei das rendas foi alterada e é tão confusa que nem quem fez a lei consegue entendê-la? Foi azar?

Se eu fosse jornalista, especializava-me em assuntos jurídicos para mostrar que as leis são mal feitas, são feitas à medida, muitas vezes criam problemas em vez de os resolverem e que a quantidade de material produzido é totalmente absurdo. Publicava regularmente o nome dos escritórios de advogados que trabalham com o estado e os valores que recebem.

Se eu fosse jornalista, especializava-me nas obras públicas e tentava perceber porque razão há tantos trabalhos a mais nas obras públicas, porque razões se fazem tantas auto-estradas em sítios onde nem os caracóis circulam, porque razão determinados edifícios públicos estão sempre em obras.

Se eu fosse jornalista ia querer conhecer melhor as Direcções-Gerais e os gestores de empresas públicas, porque mexem com milhões e nunca são chateados para saber como gerem ou não gerem os dinheiros públicos

Se eu fosse jornalista fazia um cronograma com os processos de justiça e atribuía o prémio caracol do ouro aos tribunais e juízes vencedores.

Se eu fosse jornalista até era capaz de ter muito público, duvido é que os tradicionais financiadores dos jornais quisessem ler os meus textos. É que muitas vezes o silêncio é de ouro e o ouro está hora da morte.

Porque será que complicamos tanto a vida? Quando somos crianças é tudo tão mais sincero e simples (não é fácil mas é simples e natural).

No outro dia aconteceu-me uma coisa engraçada com uma criança que nunca me tinha visto nem mais gorda nem mais magra. Fomos almoçar a casa de um amigo, mais ou menos de surpresa (coisa que não se pode fazer quando se vive longe …), e ele já tinha convidado outros amigos que têm um filho com cerca de 4 anos, estivemos a almoçar ele portou-se bastante bem, fez um desenho para o meu filhote a pedido de um adulto que estava mais interessado em “empanturrar-se” de frango assado (o que me esperará da próxima vez que estivermos juntos, ele anda a ameaçar …) e em vez de ficar aborrecido comigo, porque lhe disseram que ia lá estar uma criança para ele brincar e eu não levei a suposta criança, no final do almoço veio-me dar um abraço e um beijinho … achei mesmo ternurento. Normalmente os adultos não se comportam desta forma, expressando os seus sentimos de uma forma natural e sem serem mal interpretados.

Enquanto vamos crescendo vamos complicando tudo, está na hora de simplicar voltar ao que é natural e simples.

Esta semana o mundo científico brindou-nos com mais um daqueles estudo que pode revolucionar o mundo e, neste caso particular, mudar a forma como olhamos e nos relacionamos com outros animais (mesmo que seja a vizinha de cima, quando varre a casa a meio da noite).

O estudo de uma universidade inglesa (quando se fala de vacas os ingleses sabem do que falam!) vem provar que as vacas que são tratadas por nome próprio produzem muito mais leite do que as outras, as anónimas, por assim dizer.

Acham que o estudo é uma brincadeira? Eu não acho, e basta olhar para os valores em causa. Os cientistas afirmam que a diferença chega a 260 litros por ano!! Eu não bebo tanto leite num ano.

Vendo bem as coisas, o estudo não é surpreendente, mas às vezes estamos tão distraídos com coisas de somenos importância, que nos afastam do que pode e deve ser importante.

A premissa base deve ser sido: Quem é que gosta de ser tratado por Urso, Porco, Burro, Cavalgadura, Égua, Cadela, Bezerro e Lontra?

Pois, quase ninguém, tirando os masoquistas, alguns depravados e muito árbitros.

Eu, que não sou agricultor (na minha casa, os únicos seres vivos existentes são um casal de formigas, a quem eu já dei o nome de Luciano e Natasha e já noto que andam muito mais bem dispostos), se tivesse uma alcateia de vacas e bois não deixaria de baptizá-las com o nome do Cristiano Ronaldo (em homenagem aos Ingleses, por lhes pagarem o ordenado e a muitas Inglesas que o apreciam), Samantha Cow (em homenagem a uma amiga que se chamava Samantha Fox), Sabrina (é preciso dizer mais alguma coisa?), Sandra (em homenagem a uma colega) e Bruxo Paixão (está no Guiness por ser a pessoa em Portugal que mais vezes ouviu a expressão “Boi Preto”).

Também considero que em momentos de crise é importante confirmar que os impostos dos contribuintes são gastos de forma correcta (mesmo que sejam contribuintes de outros países. Aqui também é necessário haver solidariedade). Estes cientistas é que podem resolver os problemas do nosso mundo. Cá para mim, estas animais até podiam produzir mais se ao fim-de-semana também fossem ao cinema (embora devessem evitar os filmes de Manoel de Oliveira). Fica aqui uma ideia para mais um estudo científico.

Amanhã o sol será o mesmo mas a luz será diferente. Teremos que ser capazes de enfrentar cada problema como um desafio e ter força para o ganhar.

 

Para isso necessitamos de paz, de amigos e de pensamentos claros. Necessitamos de sentimentos fortes e espírito aberto.

 

Teremos que combater medos e desafiar paradigmas.

 

Temos que aprender a viver num mundo que não é nosso e tentar fazer dele melhor.

 

Não há nada que derrote um pensador livre nem há nada mais forte que um espírito inquieto! São estes que fazem o mundo avançar.

 

O que seria de mim se vivesse sem contradições? Seguramente que morria.

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