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Em 2009, vamos a votos três vezes:

Parlamento Europeu; Parlamento Português; Autarquias;

E os meus três votos vão para um partido que começa por “P” e acaba em “A”, mas aceitam-se sugestões e lembranças. Nunca é tarde para mudar de ideias

O silêncio da madrugada era interrompido pelo esforço do roar do motor. Curva e contracurva, o Fiat 127, galgava a Serra de São Mamede rumo ao Miradouro, naquela quinta-feira de Dezembro, depois de num beijo nos termos conhecido ao som de Héroes del Silencio, no Pacífico.

No habitáculo, o silêncio era cúmplice da nossa vontade. Ambos queríamos o mesmo, e ambos sabíamos os passos do ritual: primeiro a corte, depois o teu papel de difícil, e por último a união dos corpos.

Parado o 127, aos nossos pés Portalegre cuidava-se semi adormecida: Os operários labutando na Robinson, os académicos que regressavam ao leito para marear na sua alcoolémia, a população que restaurava forças para o dia seguinte, e os mortos de Régio saudosos dos olhos do poeta velando-os, e procurando neles a fonte da sua inspiração.

Não me recordo do sabor do primeiro beijo, nem dos beijos que vieram a seguir… Embora não seja difícil de calcular que nessas noites o sabor de cada beijo varie numa aritmética de vícios, gastronomia e higiéne oral.

Num ápice, tomámos os bancos de trás do 127, e num suspiro de um Mi bemol estes eram sangrados pelo romper do hímen virginal.

Depressa, a condensação arfada, embaciou os vidros, permitindo que neles ficassem gravadas as tuas mãos e os meus pés. Balançando na ondulação corporal, a suspensão do veículo testemunhava a atómica fusão de tornar dois corpos num só ser, fruto da anatomia dos sentimentos do espírito e da carne.

Copulávamos como se perante nós se adivinhasse o término do mundo, e a ocupação das campas, sem que alguma vez tivéssemos sentido o aroma dos nossas íntimas partes, matado a sede na fonte dos beijos, ardido no calor do útero, fundido na imensidão dos olhares, navegado nas ondulações do peito, e descansado no leito do colo.

Mas o mundo não acabou, e enrolados no descanso da exaustão libidinosa, a nossos pés, Portalegre continuava a cuidar-se semi adormecida: Os operários labutando na Robinson, os académicos que regressavam ao leito para marear na sua alcoolémia, e a população que restaurava forças para o dia seguinte…

O meu último Natal foi em 97. A partir dessa data o sentimento pela celebração do nascimento do Salvador, passou a ter tanta importância como as manhãs de Segunda Feira. Tirando os natais em casa da Fatinha, todos os outros foram o arrasto para o seio da ceia familiar da garina de cada altura, pois a não aceitação do convite poderia pôr em causa o amor sentido e implicar uma extensa lista de justificações.

Assim, tornava-me no intruso tolerável arrastado para um começal de estranhos, os quais confiavam temporariamente que seria eu o Messias encarregue de levar a garota ao altar e desfadá-la do cárcere papel de tia. Ao longo da noite, arrastava-me numa atitude marginal, e eram tantas as vezes que no interior de mim ecoava a letra de “Creep”, dos Radiohead com especial ênfase para a sentença repetida até à exaustão: ”… what a hell I’m doing here?!”. Mas… O futuro era demasiado temporário para pertencer a um qualquer clã, e os acepipes não valiam a cumplicidade dos choros de avós viúvos que temiam ser o último dos natais, nem a audição das infidelidades pormenorizadamente descritivas e repetitivas nas cubatas da Guerra Colonial, reveladas por um qualquer tio na embriaguez do tinto e do Porto. Também já não conseguia simular espanto… para esconder o horror… ao receber camisas folhadas à Roberto Leal, calças regateadas na Feira de Cascais, casacos de cotoveleiras e boxers… – Eu odeio boxers!… Nada como o belo do truce para evitar que a Santíssima Trindade ande solta e desgovernada a viajar pela bifurcação das calças. Gosto de senti-la mais aconchegada e protegida no relicário de algodão.

Por isso, a determinado momento da minha vida, optei por recusar esses encontros ciente das consequências que dessa decisão poderiam advir.

Meia noite… tempo de desejar as últimas felicitações natalícias ao último cliente, fechar as aplicações informáticas, repousar os headsets na consola e deixar para trás a Quinta do Lambert para rumar à minha cápsula, satisfeito por naquele ano não ter que cumprir o ritual descrito nas penadas atrás. Ao chegar a casa constato que as paredes do meu espaço não conseguiam isolar os encontros calorosos dos restantes andares. Um duche e optei por mergulhar na noite, peregrinando pelas capelas do Bairro Alto.

Divagar pelas ruas de Lisboa após as doze badaladas de Natal, é encontrar uma chusma de almas desesperadamente sós, ávidas e esperançosas por quebrar o seu estado solitário, nem que seja nos braços do amor pago no eterno rame-rame do Técnico.

Cada bar, tinha as suas sombras ímpares… As faces famintas de quem naquela noite tacitamente procurava o encontro de um olhar para que os seus monólogos, tão silenciosos como o nada, se metarmofoseassem no fôlego de um diálogo.

Depois de manjar uma tosta mista, a ideal ceia de natal no Clandestino, rumei de copo na manápula pelas travessas parcamente iluminadas do Bairro Alto.  A dado momento, da penumbra de uma portada, um rosto feminino conhecido da labuta quebrou-me o destino até ao Jamaica. Não tinha intimidade suficiente que me fizesse parar, mas os meus olhos cruzaram-se com o Rimmel fendido pelas lágrimas, que se confundiam com a chuva miudinha que naquela altura caía. Ofereci-lhe o meu malte, sentei-me a seu lado e por minutos ficámos de olhos pendidos na calçada, na lentidão nicotinada de um SG, sem a expressão de qualquer sílaba ou palavra. O último trago foi o génesis da confissão do vazio da sua ferida: “Os progenitores que já tinham ido além da vida… O fim de um príncipe que se revelou um batráquio nas curvas da sua feminidade… O receio do Só”… Um tombar cabisbaixo, e ali naquele penetral, junto ao Largo da Misericórdia, ficámos abraçados para depois nos lançarmos num sôfrego encontro de lábios. Por momentos, alienámo-nos do tempo, e das gentes que por nós passavam na sua busca desesperada de outras gentes. Embora a nossa realidade estivesse cálida, a noite continuava tão gélida como a solidão de quem, naquela noite, estava condenado só ao abismo da procura.

O Natal foi tomando altas horas, e as sinergias corporais pediam agora o encontro de um taxista que nos levasse sem demoras ao calor de um abrigo. Num sotaque provinciano, as confissões e conclusões de um taxista sobre o seu movimento contínuo de altas e baixas estimas, que estava a contribuir para a sua festa de passagem de ano lá na terra tão saloiamente saudosa, fizeram-nos gargalhar até casa.

Aos poucos o Natal ia fechando o seu ciclo nocturno. A nudez suada foi enfraquecendo os corpos até que só da noite restaram os renderes dos murmúrios, e os latires vadios dos bóbis da zona, à passagem daqueles que do Natal só conseguiram a companhia de fantasmas, shots e duplos.

Os sons vespertinos levaram-me a acordar num docel apenas aquecido pelo calor do meu ser. Ainda estremunhado pelo sono, foi em piloto automático que me dirigi à sentina para libertar a matinal “tesão do mijo”. Num medley de colcheias vagueei pela alegre analepse de natais anteriores a 97, para depois encalhar na absoluta necessidade de nicotina e cafeína nas veias.

Acabada a sinfonia, é no lavar das mãos que vocábulos escritos a baton escarlate no espelho, revelam a noite sem compromisso e me fazem esboçar um sorriso de concordância: “Foi Natal! Beijo”

Senhor na arte de atear o fogo, o Mafarrico, dava um jeito na lenha, tornando vivas as chamas que iluminavam os rostos do trio que em torno da fogueira se aglomerava.

De tenaz em mão, Deus agarra num tótiço, e gentilmente acende os cigarros dos restantes companheiros.

- O vosso silêncio sempre me perturbou. Quantas vezes, entre preces e promessas, vos implorei a celebração de tratados, ou contratos?! Ser rico, ter sucesso, ser um homem bom, morrer nos braços de uma namorada da ocasião, ou perder-me na luxúria de uma mulher glamorosa!… Silêncio, ausência total de vocábulos terrenos, e celestiais. Nem um sinal!

Perante as minhas palavras, Deus solta uma gargalhada e proclama em cavernosa voz: Estranhos são os caminhos das divindades, pois manifestam-se em fenómenos… Desde que não estejais tão cegos com a vossa condição mortal.

- E uma palavrinha menos cliché poderia ajudar. – Interpelei.

- O teu problema – interrompe o Diabo – traduz-se no Complexo de Quixote. Na tua juventude ocupaste a tua mente com líricas, romances e artes cinéfilas, e num toque de Midas tornaste-as reais. Enquanto decifravas a linguística da indumentária fogosa de uma Madame Bovary, muitos manchavam-lhe o vestido, sugando-lhe os peitos e matando a sua fome primitiva no suor das suas coxas. Fausto é um romance, a Bíblia é um livro de leis…

- … Pois, e o conto de Saint-Exupéry é uma moral, a Alegoria das Cavernas é a luz na escuridão, o arbusto em chamas é um toque de magia, a aparição Nossa Senhora de Fátima é uma alucinação colectiva e o desaparecimento da minha família em tenra idade foi um pesadelo do qual ainda não acordei.

- Martini, todos os contratos, implicam uma clausula maior para a qual ninguém está preparado – Replica o Mafarrico, burguês das altas finanças da alma. O caminho do sucesso, é um caminho solitário. A existência de pobres serve a causa de haver ricos, entre outros antípodas e antónimos, dos quais podemos passar a noite divagando em apologias. É o equilíbrio do Universo: Bem / Mal, doce / amargo, belo / feio, Deus / Diabo… and so on!

E os meus olhos perderam-se nas chamas da fogueira. Não valia o esforço encefálico de discursar com os elementos de equilíbrio do Universo.

Será que os autores do blog andam tão ocupados a pensar nos presentes de Natal, que não lhes resta um espacinho livre para escreverem no blog?

Será que a crise atingiu o MP?

Agora que o blog já tem 6 meses vai ser abandonado?

Vou deixar um desafio aos autores - colocarem aqui ideias para presentes originais que gostassem de dar e de receber. Assim se estiverem a pensar nos presentes podem partilhar os pensamentos …

E deixo a minha ideia original: para dar - Agenda 2009 com marcador feito de fotos e para receber – um postal daqueles verdadeiros em papel escrito à mão, com uma mensagem de amor.

Os nossos leitores aguardam ansiosos as vossas ideias….não os desiludam!

É um conceito que me faz alguma confusão por, na maior parte das vezes, não nos ser possível identificar.

 

Nunca sabemos quando vai ser a última vez que fazemos algo, que vemos alguém, que temos saúde, que somos jovens, que mudamos fraldas, que damos de mamar, que sentimos verdadeira paixão, que deixamos uma rotina de tantos anos, que vivemos, enfim a lista podia ser enorme.

 

Se temos consciência, acho que todos temos esta consciência, que tudo pode desaparecer num ápice, então porque é que não aproveitamos mais à vida? Às vezes dou por mim ou por outros a aborrecermo-nos com coisas tão miudinhas, gostava mesmo de conseguir descobrir uma forma de aproveitar mais a vida.

 

Acho que este tema tem tudo a ver com a quadra que estamos prestes a viver, visto que para alguns irá ser o último Natal, porque infelizmente todos os Natais morre gente na estrada porque se bebeu demais, porque se quer chegar mais depressa, etc. E outros vão vivê-lo sem interesse absolutamente nenhum porque não estão com os que gostam, porque acham a sua família uma seca e estão só a fazer uma obrigação, porque não gostaram dos presentes que receberam, etc. E afinal o Natal não devia ser nada disto. Devia ser mais um momento para celebrarmos o facto de estarmos vivos, de ainda termos os nossos Pais connosco, de já termos filhos, de passarmos uns belos dias e de tirar verdadeiro prazer da comida com calma.

 

Que tal pensarmos em ideias para vivermos este Natal de 2008 em pleno?

É verdade ainda falta falar sobre um tema de Novembro …

Começo por dizer quais são os 7 pecados mortais: vaidade, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria.

Há muita coisa que podemos fazer para tornar o mundo melhor umas mais simples outras bem mais complicadas. Entre as simples lembro-me de separar o lixo, não deitar lixo (inclui beatas) na rua nem para fora do carro, andarmos limpos e arranjados para não incomodar outras pessoas que partilham o mesmo espaço que nós, estacionar bem de forma a não impedir a entrada no carro vizinho, distribuir sorrisos, respeitar o espaço dos outros, respeitar o trabalho dos outros, não fazer o que não gostamos que nos façam a nós, e há de certeza muitas mais …

Entre as mais complicados  destaco educar os nossos filhos (os dos outros é fácil) para serem pessoas integras, simpáticas, organizadas, bem dispostas, que gostem de nós enfim para que sejam felizes e façam os outros felizes; fazer a nossa família feliz, encontrar tempo para estar com os nossos amigos, familiares, filhos; ser uma presença agradável e simpática (por vezes não é fácil para os tímidos e tende a confundir-se com antipatia); encontrar um companheiro/a de quem gostemos (li no outro dia) de conversar (e é bem verdade); e o mais importante façamos o que fizermos na vida devemos fazê-lo com vontade, optimismo para sentirmos a verdadeira felicidade e não acabarmos uns idosos sem paciência para nada porque passámos a vida inteira a fazer coisas chatas. E acho que já chega …

Em relação aos pecados mortais estão presentes na nossa vida quando nos olhámos ao espelho e pensamos que boa aparência que tenho, ou estou/sou magra yupie! Estamos a ser vaidosos; Gostava tanto de ter aquela mala da LV que aquela senhora/senhor tem, ou o carro/casa do vizinho. Estamos a ser invejosos. Aí que aquela pessoa me dá cabo dos nervos. Estamos definitivamente irados. Hoje vou ficar todo o dia na cama! Nunca me aconteceu mas é preguiça. Não vou emprestar nada a ninguém, como diria o meu filho – É meu! Estamos a experimentar a avareza. Não ter fome e ter vontade de comer porque temos imensa comida à disposição, por exemplo num casamento. É a gula pura e dura. Para a última lembro-me de uma música do Toy – Sensual sou tão sensual. De uma forma ou de outra já todos devemos ter experimentado um bocadinho de cada um, até porque somos todos mortais … o mais importante é que enquanto não estamos mortos tentemos ser felizes e fazer quem nos rodeia feliz, mesmo cometendo alguns “pecaditos” pelo meio…

Ainda não comprei qualquer prenda, nem pensei muito nisso
Ainda só fiz um jantar alusivo, o  mês passado
Ainda não sei onde vou passar a quadra
Ainda não fiz a árvore de Natal, nem enfeitei a minha casa

Mas já apaguei uma boa dúzia de mails, alusivos à data…

Será que este ano vou receber algum mail que já não tenha recebido nos últimos 3 ou 4 anos?

Caros amigos, aqui vai o meu acto de contrição. O mesmo resulta da última análise psicológica que me foi feita e expõe-me perante aqueles que me lêem! Se é que alguém ainda o faz…

 

Na última semana fui alvo de uma avaliação que identificou algumas virtudes no meu comportamento mas que reiterou a falha maior: não dou o devido valor às pessoas. Na realidade, considero esta análise injusta e inadequada, principalmente porque sempre que vejo alguém sofrer, sofro, e tanto mais sofro quanto mais me custa ser incapaz de resolver os problemas de outrem.

 

Em qualquer caso fui catalogado como sendo um “Extraverted Thinking with Introverted Sensing…”

 

Ora, aparentemente dentro de todas a virtudes de liderança que me foram identificadas (quando olho para o espelho fico orgulhoso por ter capacidades que desconhecia), salta um defeito que tenho que corrigir. Assim sendo e em inglês para não distorcer os dito:

 

“…give less attention to my non-preferred feeling and Intuitive parts… apply logic even when emotions and impacts on people need primary consideration!… fail to respond to others’ needs for intimate rapport and processing of feelings…”

 

Grosso modo tenho que me focalizar mais nas pessoas quer pessoal quer profissionalmente… Esta é uma das minhas resoluções para o ano que ai vem! 

n.b.: sem muito bem quem sou e o que quero ser e é por conhecer e reconhecer os meus defeitos que vou ser capaz de melhorar!

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