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Amálgama de palavras
Brotam em bruto
Revolvem o magma
Redemoinham sem rumo
Alinham-se à sorte
Saltam sebes e muros
Soltam coices e pinotes
Mascaram-se com corpetes e capotes
E
No fundo
Vagas que afloram a crosta
Adormecidas e embaladas
Em Oceanos amotinados
Nos abismos da razão
Sobem aos céus incandescentes
Desabam vazias de justificação
Numa vertigem de ser
Porque no fundo dos ossos
Mora o maldito coração
Sorriam…
Sorriam da próxima vez que se cruzarem com alguém!
Sorriam porque todos os sorrisos são belos!
Sorriam porque o sorriso sincero não cansa!
Sorriam porque um sorriso espontâneo faz feliz a alma daquele a quem o sorriso foi dirigido!
Sorriam a todos aqueles de quem gostam!
Sorriam a todos aqueles que vos rodeiam!
Sorriam indiscriminadamente…
Sorriam aos que conhecem!
Sorriam aos que vos são estranhos!
Sorriam todos e para todos, pobres, ricos, sãos e enfermos!
Sorriam e sejam francos no acto de sorrir.
Sorriam e se porventura algum motivo existir que vos tire o sorriso contem comigo e com os vossos para vos fazer sorrir!
Sorriam e retribuam sorrisos… usufruam da felicidade gratuita que o sorriso vós dá.
Na pátria lusa existe uma doença crónica que se chama falta de pontualidade (e noutras pátrias também há registos do mesmo, em especial quando colonizadas por lusitanos).
Esta doença afecta uma larga camada da população e tem efeitos secundários muito significativos nos que contactam com esses doentes, em especial no sistema nervoso.
Esta doença caracteriza-se por chegar sistematicamente atrasado, considerar isso como um acto normal (defecar também é um acto normal, mas nesta doença defeca-se nos outros, basicamente) e, por norma, não equacionar se quer um pedido de desculpa ou apresentar uma justificação minimamente aceitável. Pedir para avisar que se está atrasado já seria demais, como é óbvio.
Esta realidade afecta todas as classes sociais, todas as religiões e todo os tipos de sexo. É quase impossível delinear um padrão comum para os portadores da doença, o que dificulta a criação de uma terapia correcta para abordar a doença, embora me pareça que os terapeutas podiam fazer um pouco mais pela mesma (entenda-se por terapeutas as pessoas que chegam a horas e não a classe médica, porque essa também sofre, e de uma forma grave, desta doença).
Curiosamente, uma actividade que raramente serve de exemplo para alguma coisa, é, neste matéria, um exemplo: o futebol (e todo o desporto, a bem dizer). Os jogos começam sempre à hora marcada (excepto no final de época, quando se inventam umas desculpas esfarrapadas para atrasar o inicio de alguns jogos) e quem está está quem não está estivesse, quem dá o apito inicial é que manda.
Na Universidade, onde a bandalheira é de um modo geral a regra, tinha um professor que aplicava uma terapia que funcionava de uma forma impecável (e implacável). Da manada inicial a entrar na sala, o último fechava a porta. Os retardatários batiam com o nariz na porta. Só foram precisas duas ou três aulas para perceber a regra. As aulas tinham outro ritmo e todos os interessados entravam a horas. Nunca ninguém lamentou a regra e foi uma cura para a doença. Era o único caso, nas outras cadeiras / disciplinas reinava a anarquia (no inicio fez-me um bocado confusão, habituado que estava a algumas regras que me pareciam mínimas).
Se todas as reuniões começassem a horas, independentemente dos presentes; se todos os amigos ficassem apeados ao fim de poucos minutos de espera; se todos os fornecedores e vendedores fossem deixados à porta; se…se… se todos fizessem um esforço para debelar o mal, certamente tudo funcionaria melhor e esta doença deixaria de figurar nas doenças mais graves do nosso país.
Eu, sujeito que estou a múltiplas contaminações, vou tentando resistir, mas nada me garante que um dia também não passe a ser um doente crónico porque, como alguém disse, “em Portugal, quem cumpre horários arrisca-se a perder tempo” e o meu tempo é cada mais precioso. É que não há pachorra!!
Este sacaninha informático acabou de me papar uma crónicazinha de estalo, zás!
Atraiçoado me sinto (tenho umas manápulas parcas em motricidade fina), como protesto levam este reparo e de inspiração Sadina um valente Bardamerda! (o insulto é para as patinhas do autor que de quando em vez entram em conflito com o CPU – Cachimónia de Pouco Uso).
Termino com inspiração de Bocage que soube, sempre, engalanar o ultarje.
Estava este enorme coirão
Debruçado sobre a escrevanihna
Escapou-lhe a pena e a inspiração
Borrou-se toda a prosinha
Tremendo de irritação
Arremesou com a mesinha
Escapou a pata do alazão
Bateu com os cornos na caminha.
P.S. Lindo! Agora como prémio vou manjar uma pizza congelada. durmam bem e… passem uma águinha nesses cascos antes de ir para cama a cheirar a chulé, tenham dó!
Imaginar um ser totalmente perfeito e capaz de satisfazer todos os nossos desejos e anseios é relativamente fácil. Conviver com a ideia de que estamos enamorados desse dito ser pode revestir-se de momentos de felicidade oca ou de tristeza forrada a raiva.
Sermos ignorados por alguém por quem cremos estar loucamente apaixonados cria em nós sentimentos de revolta absoluta. Descontrolamo-nos, perdemos o discernimento e transformamo-nos num ser sofredor…
Um amor não correspondido é de todo suportável pela alma de quem o vive e pode ser acalentado pelo comportamento do ente amado. É no entanto a mais que justificada falta de atenção por parte do ente querido que verdadeiramente faz amargar um coração apaixonado.
Nunca o ser humano poderá encontrar um filtro para a dor que provoca o amor unilateral, nunca um ser humano objecto de amor ao qual não corresponde poderá ser culpabilizado pelo sofrimento que provoca…
Resta ao que ama sem ser amado, ao que deseja sem ser desejado, ao que procura sem ser procurado imaginar a perfeição num novo ser e assim deixar cair o mito…
Resta a quem deixa cair o mito voltar a começar tudo de novo!
Por vezes sentimos uma necessidade incontrolável de reviver o passado e quem o tenta fazer tem em mente dois motivos, por um lado corrigir ou mudar algo que considera errado ou ter feito mal e por outro lado voltar a experimentar sensações que lhe foram gratas e agradáveis.
É óbvio que só os pobres de espírito ou os tontos tentam reviver o passado para emendar desacertos cometidos! Os enganos passados corrigem-se no presente e no futuro e sobre estes dissertaremos num dia lá mais para a frente.
Foi com o segundo objectivo que um casal, entendamos por casal um homem e uma mulher, que ainda no início da segunda idade e sem razão que a tal motivasse decidiram ir visitar locais onde haviam passado bons momentos.
Tenho que descrever, ainda que de forma sintética e sob pena de me tornar aborrecido aos olhos dos caros leitores, este homem e esta mulher.
Do ponto de vista emotivo são ou estão num momento de estabilidade e maturação da relação. Gostam um do outro e da companhia que mutuamente se proporcionam, pelo que, não têm necessidade de relembrar a paixão passada para manter aquela que é a atração presente.
No que concerne a aspectos materiais têm uma situação confortável que tem evoluído positivamente desde o tempo em que acabaram os estudos e podem dar-se a alguns pequenos luxos.
Na nossa história, como já foi dito estes dois seres pensaram ser interessante visitar alguns locais por onde tinham passado e que por um ou outro motivo mistificaram.
Empreenderam assim uma jornada de visitas aos locais do primeiro encontro, do primeiro sorriso, do primeiro beijo, de todos os primeiros que fazem parte da construção de uma relação. Visitaram também sítios onde desfrutaram da refeição perfeita, onde aquela bebida e não outra os marcou para a vida e de onde saíram para fazer amor pela primeira vez… Visitaram, revisitaram, viveram e reviveram…
Caras almas que tenham encetado já tal missão ou que algum dia se sintam tentados a faze-lo deixem-me dizer-vos que todos, ricos, pobres, religiosos ou agnósticos irão tentar algum dia mudar o passado ou pelo menos vão pensar nisso. Deixem-me que continue a relatar a saga destes destemidos viajantes ao passado e saberão qual o risco em que incorrem.
Estes entes, que percorreram de forma intensa o passado chegaram à conclusão que o mesmo era em tudo diferente do que imaginavam. Acabaram por destruir os mitos que alimentavam a sua alma e deixaram de perceber como ali haviam chegado, deixaram de saber porque hoje eram como são. Perderam-se, tornaram árido o passado que se apresentava como verdejante nas lembranças que eram partilhadas.
A verdade é que tudo evolui e o passado, bom ou mau, e neste caso era são, fica registado, gravado na memória daqueles que o viveram.
A verdade é que o passado é algo morto que perdura nas nossas fantasias. É por isso imutável e impossível de reviver.
Devemos como tal viver o presente para construir um passado grato e cheio de grandes memórias! Sobre o futuro hoje não escrevo porque este tema é mais complexo…
Todos queremos de uma forma ou de outra influenciar o que ai vem, mas assim como reviver o passado se apresenta impossível porque o mesmo é tão e somente o resultado das nossas memórias, controlar algo que ainda não aconteceu como seja o futuro também me parece irrealizável.
A Berguilhíssima Trindade Lusitana é tão famosa que recentemente durante um almoço, daqueles que o seu fim não se adivinha quando, nem como, e posterior a uma dissertação colérica de como os americanos transferiram a patente do Bacardi, de Cuba para Porto Rico, sou surpreendido pela médica de serviço, num precioso castelhano cubano:
“Vosotros, portugueses son mucho calientes!”
Olhei para a garrafa de Bacardi, questionando o morcego, na tentativa de comprovar se o volume consumido tinha sido o suficiente para chegarmos àquela hora de convívio em que toda a gente filosofa, sem pensar nas consequências de acordar na manhã seguinte com dois bafios matinais, e um arrependimento pelas sentenças proferidas.
Mas não! Aline era conhecedora do currículo da Malta das Quinas, e comprovava que não foram só novos mundos que demos ao Mundo, mas também demos novos mundos ao Mundo que íamos encontrando.
Tudo começou quando, de Lendas de Mouras Encantadas fervilhando a nobre cabeça de Afonso Henriques, eis que este zanga-se com os seus pares, e numa loucura real desata a correr por aí conquistando tudo o que era terra de feminidade mourisca, em busca das damas que em maravilhas ventrais, lhe curassem as feridas do coração.
Cativado por outras cativas, Camões, príncipe dos poetas, revela o fogo do impulso lusitano na célebre “Ilha dos Amores”, prémio de tão afortunada ventura. Barras de ouro, ou títulos nobliárquicos foram honras menores, perante a permissão olímpica de se deleitarem em jogos amorosos com as sedutoras Nereidas.
E o grandioso Afonso de Albuquerque, sabedor da psicologia comportamental Lusitana, após seis meses de bojarda sobre Malaca, segue uma política de miscigenação. Estratégia de defesa exemplar do Estreito de Malaca, garantindo desta forma a prontidão dos bravos defensores do V Império.
Por último, nos idos tempos de 1756, questionava-se Voltaire, no seu Le Désastre de Lisbonne, se o empório alfacinha teria pecados maiores do que Paris ou Londres, para que, no dia de Todos os Santos, do ano anterior, tivesse sofrido a justiça irada da mão de Deus.
Mal sabia Voltaire que o Tuga, senhor da arte de navegar os setes mares, era também Lente na arte de deixar bastardas gerações em tudo que era porto de escala, Além e Aquém Mar!
Entre amigos, jovens por sinal, porque na minha perspectiva os velhos valorizam mais a vida discutia-se a morte. Entre copos de vinho e farra, um deles propôs: Vamos fazer um pacto para a morte (algum dia estimado leitor farei um conto com pactos para a vida); O primeiro que morrer voltará para contar como é a outra “vida”, isto é, a morte. Brindaram, celebraram e efectivaram o pacto.
Tenho que fazer aqui uma pequena nota e peço por isso desculpa.
Nenhum dos ditos jovens, apesar da amizade que os unia quis ser o primeiro a cumprir com o acordo. Dedique uns minutos a pensar nisso.
“Só conheço um motivo para que se queira morrer e esse motivo é a solidão”. Dedique mais uns minutos a este pensamento porque só os vivos podem resolver este problema.
Peço-lhe que a partir de hoje não pense mais na morte, como se diz ela é certa e da mesma não à retorno. No limite pense que, se estar morto é melhor que estar vivo, quanto mais tempo viver mais vai aproveitar do bem-estar da morte.
Voltando aos nossos heróis. Com o passar dos anos esqueceram-se do pacto.
Quando já em idade avançada se voltaram a juntar no mesmo ritual de sempre aperceberam-se que em farras seguintes alguns já não estariam. Será que algum ia voltar para cumprir com o acordado, discutiram animadamente o tema aproveitando o acto de ainda estarem todos.
Hoje só hà memória desse grupo de amigos. Os descendentes lembram-nos com carinho. Nenhum morreu a saber como era a “vida de morto”.
Se nem a amizade ou amor nos faz contar aos vivos como é a morte é porque não há nada para contar… mantenhamos a esperança de que talvez haja algo para viver nem que seja nas memórias dos que ficam.
Acredite caro amigo que todos nós conhecemos alguém que antes de morrer pensou: Depois de morto vou voltar para contar como é! Não conhecemos é ninguém que o tenha realmente feito.
Somos capazes de matar companheiros da jornada da vida sem razão aparente. Parece-me estranho mas olho à volta e vejo que assim é!
Eu por mim nunca matarei e não posso estar de acordo que outros matem.
E não me digam que a vida é um bem próprio.
Cada ser é único e é pertença da humanidade não do próprio ser.
Acabar com o sofrimento é o argumento comum, combate por uma causa distinta é outra das falácias.
Que merda é esta. Somos irracionais ou quê?
Contem um conto, valorizem a vida de todos e cada um dos seres que povoam o universo e interiorizem que só temos uma causa, sermos felizes!
Cá para mim acho difícil ser feliz depois de morrer, apesar de muitos acreditarem nisso… seja porque as virgens nos esperam, seja porque alguém estará a nossa espera do outro lado ou até porque a dor física que tínhamos morre connosco…


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